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  • Nonato Brito

ENTREVISTA - Pablo Sarney: "Guimarães vive hoje um círculo de hipocrisia: falam que amam Guimar


Pablo Sarney (à esquerda) sendo entrevistado no seu comitê eleitoral por Nonato Brito

O candidato a prefeito Pablo Tavares Sarney Costa concorre às eleições de outubro em Guimarães pelo Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). É a primeira vez que se lança candidato a um cargo eletivo. Bacharel em Direito, piloto aviador e proprietário de Cartório de Buscas em São Luís, Pablo Sarney nasceu em São Luís, mas passou a sua infância e a adolescência em Guimarães. É casado com Daniela Duailibe, com quem tem a filha Ana Sophia. Filho da vimarense Lindalva Tavares e do empresário Murilo Sarney, Pablo tem 37 anos e, nesta entrevista, fala de seu plano de governo, dos trabalhos já realizados no município, do convívio com seus adversários, da hipocrisia em muitos meios da política, da dificuldade para reorganizar o PTB no município, do sobrenome Sarney e das lembranças de seu avô – o ex-prefeito Antônio Tavares. A entrevista foi concedida ao editor do Blog Vimarense, Nonato Brito no comitê de sua campanha, na Rua Dr. Urbano Santos.

Blog Vimarense - É a primeira vez que o senhor disputa uma eleição?

Pablo - Nonato, primeiramente quero agradecer ao Blog Vimarense que é a referência da notícia em Guimarães. É a primeira vez que disputo uma eleição de fato. Como todos sabem, eu sou do PTB. No ano de 2008 tive um convite do meu amigo deputado federal Pedro Fernandes para reestruturar o PTB no Maranhão e que na época o mesmo me convidou para ser candidato a vereador na capital, mas decidi não disputar a eleição lá porque não tenho nenhum vínculo político por lá. A minha politica sempre foi aqui em Guimarães, apesar de ser nos bastidores. É a primeira vez que eu saio oficialmente candidato numa campanha, mas já ajudei algumas pessoas em suas candidaturas em minha cidade.

Blog Vimarense - O senhor passou a sua infância em Guimarães?

Pablo – Passei sim. Estudei na Escola Dr. Urbano Santos, Na Vila Gen, na Unidade Escolar Nossa Senhora da Assunção, na época em que minha mãe foi diretora do Hospital Maria Alice Coutinho. Nonato, quando eu estudei aqui no Urbano Santos o muro da frente era baixo e a gente pulava para a pracinha e íamos brincar onde chamávamos de piscina, hoje já está aterrado. Isso eram coisas de crianças estudantes. Aqui eu vivi a minha infância, uma parte da minha adolescência. Tenho um bom relacionamento com os meus colegas desse tempo de escola. Ontem mesmo eu estava conversando com o meu contemporâneo Delcinho e lembrando que na época o nosso dinheiro imaginário eram carteiras de cigarro que dobrávamos e no horário do recreio ficávamos brincando de tabuada e quem errasse a resposta levava uma chinelada na mão. A minha infância aqui em Guimarães foi maravilhosa e eu quero que minha filha tenha essa oportunidade de morar aqui em Guimarães. As melhores lembranças que tenho da minha vida são esses bons e inesquecíveis tempos que passei aqui em Guimarães.

Blog Vimarense - O que levou o senhor a abraçar essa candidatura?

Pablo – Nonato, o que me levou a abraçar essa candidatura, diga-se de passagem, eu não tinha pretensões em me candidatar em Guimarães. Guimarães é minha terra que sempre que posso venho passar alguns dias e rever meus amigos. Mas isso começou em 2013 quando eu vi algumas coisas indignantes como ser humano, vi conterrâneos meus doentes sendo transportados em carrocerias de pick up. Não estou falando da prefeitura, estou falando de gestão administrativa, as pessoas têm mania de confundir que quando você está fazendo uma crítica a uma gestão atinja a pessoa que administra e não tem nada haver com a pessoa. Eu trabalhei com dona Nilce no NEP, trabalhamos juntos e ajudamos trazer muitas coisas para a nossa Guimarães, ela sabe disso, mas eu achei que ela fosse desenvolver o município. Eu não a conheci como prefeita, mas como assistente social e nos dávamos super bem, mas quando eu vi essas coisas, resolvi vir ser candidato, não como salvador porque sou contra esse rótulo de salvador, mas sabendo que estou preparado para trazer as coisas que Guimarães precisa ter. Vou lhe dar alguns exemplos de como fazer as coisas acontecerem aqui em Guimarães: O emprego é o maior programa de assistência social, trazendo turistas, eu e o Antônio Marcos, ele lá no Canadá e eu aqui, sempre nos comunicamos pelas redes sociais. O Antônio eu respeito demais, ele tem uma inteligência fora de série, sempre debatemos sobre Guimarães, como exemplo discutimos sobre que Guimarães é a quinta ou a sexta cidade mais antiga, nós decidimos que é a quinta mais antiga (risos). Então sempre eu digo que Guimarães é a quinta cidade mais antiga do Maranhão e explora isso ao seu favor para gerar empregos. Vi muitas coisas erradas e não vou nomear aqui porque não iremos terminar essa entrevista hoje. O que me trouxe para a política foi isso, precisava oxigenar a política de Guimarães Não se tem mais estrutura para permanecer o quadro político que aí está. O que eu estou fazendo hoje, posso não ser eleito, mas no futuro estou servindo de exemplo, quando mais tarde possa um jovem dizer que não deverá ter medo de encarar a política de Guimarães por que fulano e sicrano estão há mais tempo na política. Isso também serve para que as pessoas possam entrar para resolver essas coisas ruins que existem Se não entrarem quem vai resolver? Em síntese é isso.

Blog Vimarense - Antes de o senhor aceitar sair candidato a prefeito, que atividades o senhor desenvolveu na sua profissão?

Pablo – Sou bacharel em Direito, piloto aviador, proprietário de cartório, administrador. Sou tudo isso, mas costumo dizer mesmo que sou proprietário de cartório, mesmo porque quando você passa a ser proprietário de cartório não pode exercer o direito, então optei pelo cartório de buscas que fica na Rua do Sol, no centro de São Luís, Maranhão. Então é essa a minha atividade, as demais profissões ficaram como hobbies.

Blog Vimarense - O senhor já teve alguma militância política antes de ser candidato a prefeito?

Pablo – Em Guimarães não. A minha mãe sempre teve militância política aqui. Eu até brincava ontem dizendo que ela lutou por muita gente e quando hoje que precisamos lutar com a gente ficamos somente nós, caminhamos sós. A minha mãe tinha muita militância, militância fervorosa, tinha lado político aqui em Guimarães e eu tinha uma militância aqui em 2012, onde eu emitia minha opinião, o que eu achava bom para o município. Agora, a nível de estado eu sempre tive militância, sempre fui dos bastidores a nível de estado.

Blog Vimarense – Por que o senhor resolveu entrar para a atividade política?

Pablo – Nonato, todo mundo diz que eu fiz a pior besteira na minha vida, foi deixar a vida tranquila e sair para vir para a política e ser xingado. Certo que há os dois lados: negativo e positivo. O negativo já as pessoas não conseguem mais separar o joio do trigo, todos vão para a vala comum. Essas são umas das decepções que eu tenho visto na política. Os novos que deveriam ser tratados como novos são também tratados como aqueles que têm 20 a 30 anos na política. O que me trouxe para a atividade política, primeiro foi a certeza de que eu poderia resolver as coisas. Não vim para a política fazer discurso, eu sou muito objetivo. Onde eu estava apontando o erro eu iria resolver, lógico que é um julgamento do povo, o povo é quem decide quem é quem e a gente tem que respeitar. A certeza que eu tenho é, se eleito for, vou resolver os problemas que venho apontando. Isso é o principal.

Blog Vimarense - Quais experiências o senhor traz para o mundo da política?

Pablo – Os bastidores da política nos ensinam muitas coisas e também como empresário. O povo vai saber agora o que eu fiz nos bastidores. Eu quando fui funcionário do NEP – Núcleo de Programas Especiais do Maranhão, eu ajudei trazer muitas coisas para dentro de Guimarães, só que eu não fazia publicidades desses atos, sempre foi a mesma coisas do que eu estar conversando agora contigo e você me dizer que tem um projeto para eu resolver pra você, se eu vou resolver não será preciso eu fazer publicidade disso. Sempre achei que não deveria dizer o que fazia, um erro meu, sendo assim outro ou outros vinham e se apresentavam como o pai da criança (risos). Como exemple ajudei a eletrificação rural do povoado Baiacu que estava emperrado e que todos sabem que na época o prefeito era Dr. Celso Coutinho, que era adversário da governadora Roseana Sarney. Reuni com a governadora e falei a ela que o pessoal desse povoado estava precisando de luz como precisava de água. Entendemos que as diferenças politicas não devem atingir o povo, aí ela me disse, não há problema, Pablo, nós vamos resolver essa situação. Contratamos um engenheiro elétrico por que tinha caído um projeto de eletrificação pela Associação de Moradores de Baiacu, mas o projeto chegou lá em São Luís cheio de falhas e não poderia ser tocado, precisava ter um engenheiro elétrico, um check list de documentos que não tinha, precisa ter uma visita ao local para fazer o mapeamento que se fosse hoje seria por satélite. Nessa época não tinha, eu tive que vir aqui fazer esse mapeamento, que fiz na época com Rui Pretinho. Está ele aí para comprovar o que estou falando, ele pilotando a moto e eu na garupa com uma prancheta fazendo o serviço. O engenheiro Macieira, meu primo, me deu as coordenadas de como seria feito e fomos à luta, passamos até nas terras do senhor Nhonhozinho Schalcher, mas não me considero pai, somente contribuí, tive essas atividades. Consegui recursos através de projetos para a fábrica de gelo, na época em que iriam fazer e não sei por que não foi feito, isso através do NEPE. Agora, não alardeava e que foi um erro meu e em consequência disso o projeto de eletrificação do Baiacu tem hoje mais de vinte pais. O grande erro meu foi não fazer a publicidade.

Blog Vimarense - Quais são as linhas principais do seu plano de governo?

Pablo – São cinco eixos. Serei mais ousado com a saúde, educação, infraestrutura, segurança e o principal que é a geração de emprego e renda. Sou da filosofia de que o melhor para a população é a geração de emprego e renda, emprego é dignidade. Eu com emprego não preciso pedir favor a ninguém, eu com emprego não preciso estar nas mãos de político nenhum. Por que digo que é dignidade? Eu empregado consigo comprar as minhas coisas que preciso. Ninguém vai dizer que o que tenho foi fulano de tal quem me deu. Para isso primeiramente temos que catalogar as coisas que o nosso município tem para oferecer que é um acervo arquitetônico fora de série, culinária, belas praias, etc. Sempre digo que Guimarães é a cidade da resistência porque já era para estar fora do mapa depois que foram desmembrados Mirinzal e Cedral. Tempos que procurar recursos para potencializar isso. Nonato, você que visitar uma casa feia? Que você não sabe onde fica quarto, sala, banheiro? Não. Traremos turistas para o município se adequarmos os nossos pontos turísticos. É a analogia que faço da nossa Guimarães que é uma bela casa e que não se sabe onde é quarto, sala e banheiro. Ou seja, não tem praias, aterro arquitetônico, nada catalogado. Por que turistas podem ir para Alcântara e não podem vir para Guimarães? Será se turista não traz dinheiro? Se você tem um banco de dados pra que sejam catalogados tudo sobre o município, atrai o turismo para o município, mas temos que prepará-lo para recebê-lo. O turista que vem aqui é por simples curiosidade, ele ficou sabendo que no Maranhão tem uma cidade que a quinta mais velha do estado e que quer conhecer, mais nada do que isso. Não existe o calendário de nada, nem mesmo do carnaval, São João e os Festejos do Padroeiro da cidade “São José”. Recentemente houve o “Guimarães Fun Fest”, os organizadores estão de parabéns, assim que começa, você vai mostrando para o Maranhão e o mundo as coisas de Guimarães. Guimarães ser vista lá fora e trazer os recursos para cá, se você não fizer isso, nada feito por que os recursos do Fundo de Participação não seguram as demandas diárias. Guimarães só desenvolve com recursos de fora pra dentro e o principal atrativo é o turismo. Eu fico me perguntando se sou o único maluco que enxerga isso? Temos o bumba-meu-boi de Guimarães que é sotaque de Guimarães, sotaque de zabumba. Gente, nós estamos falando é de Guimarães, cidade mãe de muitas outras cidades da Baixada e ninguém explora como deveria explorar.

Blog Vimarense – O seu partido – o PTB - foi presidido aqui em Guimarães pelo ex-vereador Ataíde Aires Júnior. O senhor recebe o apoio dele?

Pablo – Não. Nunca recebi apoio do ex-vereador e ex-presidente da Câmara. Tenho uma relação com ele apenas amistosa de duas pessoas civilizadas como também não tenho apoio nenhum da classe política de Guimarães.

Blog Vimarense - Porque o senhor não fez coligação com nenhum outro partido no município?

Pablo – Nonato, eu tive a oportunidade de ser vice em todos os grupos políticos, todos sem exceção. Aliás, com uma única exceção que foi com a prefeita Nilce Farias. Com todos os outros eu poderia estar. Por que eu não coliguei? A única pessoa que eu tive conversa aberta a respeito de coligação foi com o Kaká. Mas não estou falando que eles não têm a visão que eu tenho, não se trata disso. Eu coloquei o programa de governo em discussão para coligarmos. Eu participei de uma reunião que foi na casa de Dr. Jânio e eu disse lá que a coisa que mais me entristece e que não vejo ninguém debater sobre Guimarães, o que presencio é interesse sobre cargos. O que eu vi naquele momento foi uma classe política saturada, agonizante, tentando sobreviver. Na minha opinião, quando você está nesse patamar, essas pessoas não eram o que você queria. Declaro honestamente que gostaria muito que algumas pessoas estivessem conosco, mas infelizmente não estão agora. Outra coisa que eu quero aproveitar para dizer é que sou muito mais legítimo para ser prefeito de Guimarães do que muita gente que está disputando eleição em Guimarães porque aqui está a minha origem, passei toda a minha infância, minha adolescência. Deixei sempre claro que não caí em Guimarães de paraquedas. Eu, como várias outras pessoas, tive que sair para estudar, arrumar melhor condições de vida. Se eu tivesse ficado aqui não teria o que eu tenho e nem a formação que tenho hoje. Quem nos dera se Guimarães pudesse nos dar essa formação na época. Agora já temos as extensões UFMA com alguns cursos, mas o Direito ainda não. Mas, Nonato, eu tenho uma antipatia natural, primeiro porque eu tenho o sobrenome Sarney e que eu não herdei do ex-presidente Sarney, herdei do meu pai. Quero saber qual filho que renega a memória do pai, mas alguns acham que eu deva fazer isso. Já fui tratado aqui em Guimarães como um membro da oligarquia e que não sou membro de oligarquia nenhuma, sou membro de uma família, eu tenho direito a ter família, se nós temos cinco dedos nas mãos e não são iguais, né, Nonato? Se todos os dedos fossem iguais seria muito melhor, mas... não devem fazer o pré-julgamento, principalmente nas redes sociais. Tenho visto nas redes sociais coisas que me deixam abismados, cheias de agressividade, gente que te julga e que nunca te viu na vida. As coisas são tão ferozes que acaba ficando intolerante. Se amanhã o filho de um pessoal desse quiser ser candidato e com o sonho de renovação como tantos outros jovens de Guimarães não será possível por que se tornou intolerante. Acredito que vão enfrentar coisas piores, é o que está acontecendo na internet, você está minando um caminho que deveria ser limpo e bonito e que algumas pessoas estão sujando. As linguagens que saem você vê que já fugiu da política. Eu sou muito das redes sociais, tenho um pessoal que trabalhada pra mim, me comunicam quando estão falando de mim para eu responder, é uma maneira da gente monitorar. Então essas pessoas que querem ajudar Guimarães devem ajudar incentivando. Tudo bem, se não gostam do Pablo, beleza! Mas vamos incentivar essa juventude vir para a política. Nonato, nós precisamos ter futuro político, precisamos mesmo. Quem sabe se amanhã teu neto não queira ser prefeito da cidade, vocês são de família de políticos, como também netos de Dr. Agenor e o Osvaldo que tenho maior carinho pelos dois, são pessoas mais decentes que conheço. A sua irmã Jenille Brito que é candidata a vereadora e que tem um futuro político, já pensou se esse pessoal encontrar um caminho como estamos encontrando? Ou até pior? Hoje se você for candidato já vira inimigo número um. Tiveram pessoas, Nonato, quando eu pedi a cassação da prefeita, que me respeitavam muito e que batiam palmas pra mim, ligavam todos os dias, mas desde o dia em que eu anunciei que seria candidato, essas pessoas não mais me ligaram e nem falam comigo. Nós não só temos uma hipocrisia social, ela também é uma hipocrisia política, ao seguinte: enquanto você não me contraria, tudo bem, depois que acontece isso, aí você já sabe. Acho isso venenoso, tenebroso que é o voto de apadrinhamento, já que estão dizendo que Guimarães está ruim, ninguém votou na atual prefeita. Foi voto de cabresto, não se viu nenhum voto para a prefeita, o que se viu foi alguém que não pode ser candidato e que foi substituído em cima da hora e que ganhou eleição. O padrinho desses votos não tem coragem de bater no peito e dizer “eu sou o responsável pela merda que está acontecendo”. Gosto muito de falar o português claro, me desculpem, o padrinho politico dá uma de João sem braço, não traz a responsabilidade para si. Vejo isso uma coisa danosa. Nonato, você veio aqui para me entrevistar e você preparou as perguntas para me fazer, já imaginaste se tivesse que ser o inverso, que eu teria que preparar as perguntas para você me entrevistar? Já imaginaste isso? Aí eu te falava, você tem que me perguntar o que eu quero que você me pergunte. É mais ou menos o que Guimarães vive hoje, um círculo de hipocrisia, falam que amam Guimarães, que todos amam Guimarães e continua do jeito que está.

Blog Vimarense - Quem é o candidato a vice-prefeito na sua chapa?

Pablo – O meu candidato a vice é o Anyckson Leone, filho de dona Maria de Abel, como é conhecida aqui na cidade. O Anyckson foi o nome que se sobrepôs natural. O que acontece é que tivemos um grande problema no PTB na transição do ex-presidente Ataide Júnior, que houve um número excessivo em que eu não tinha acesso ao filieWeb. Foi uma enxurrada de desfiliação que nem o presidente do partido estava na lista e aí tivemos um trabalho enorme para refazermos o PTB. Ontem eu fiquei até contente quando uma pessoa me falou que hoje em Guimarães sabemos quem é o PTB. Antigamente não se sabia nem se tinha o PTB por que não sabíamos quem era presidente e nem tinha uma sede, não tinha bandeira, não tinha nada. E nesse trabalho de reestruturação do partido o Anyckson sempre esteve junto. Depois de tudo pronto fomos conversar com o Kaká que é um queridão nosso. Sempre me falam que eu não sou normal por que me dou muito bem com meus adversários, eu respondo que aí que sou normal. O que é anormal é você tratar o seu adversário como inimigo, eu não sou inimigo de ninguém. Aí que lá na frente nas articulações a gente sentou todos do PTB com o pessoal de Kaká. Olha, Nonato, na política você tem pessoas ao seu lado em que você confia, um vice que lá na frente não vai pipocar e aí eu deixei muito claro que preferia ter um vice do próprio partido e aí o nome do Anyckson surgiu naturalmente dentro do partido. Foi uma indicação do PTB, não foi uma indicação do Pablo, foi o PTB vimarense. Eu sou presidente, mas quem decide somos todos nós integrantes do partido. Fiquei muito contente quando o mesmo foi indicado, ele já era secretário do partido, brinco até com ele dizendo que assim como estamos subindo abraçados, se cairmos continuamos abraçados (risos).

Blog Vimarense – O PTB está disputando as eleições com quantos candidatos a vereador?

Pablo – Nonato, nós estávamos com três candidatos a vereador, mas a Justiça Eleitoral indeferiu dois, mas isso aí ainda estamos vendo. Mas o que acontece? Como nós temos outros candidatos a vereador em outros grupos políticos (risos), que não posso dizer, o PTB teve que se fechar. Vou explicar melhor. Teve uns partidos que iriam coligar conosco, mas que foram para outros grupos políticos, mas que tinham os candidatos a vereador e que após a homologação de suas candidaturas nos apoiam na surdina, como se fala na linguagem popular. Isso foi uma reengenharia que tivemos que adotar porque eles já estavam em nosso projeto político. Pois bem, estamos com três e apoiando outros amigos nossos que estão em outras coligações, são amigos do Pablo. Temos os candidatos a vereador oficiais e os não oficiais que estão em outros partidos e que são apoiados pela estrutura do PTB.

Blog Vimarense – É dado como certa pelo Congresso Nacional a reforma política, instituindo a cláusula de barreira e a proibição das coligações para candidatos a vereador e a deputado. Qual a sua opinião sobre isso?

Pablo – Eu sou a favor, mesmo porque o que estamos fazendo na prática considerados partidos isolados é o que vai ser feito nessa nova lei. Nonato, tem uma terminologia chamada bucha de canhão. O que é bucha de canhão? É aquele candidato que se sabe que não vai ganhar, é aquele partido que não tem expressão nenhuma, mas que é apenas para fazer uma somatória. É um engodo para elegerem aquele que querem com o fim da coligação. Isso vai acabar e só se segura realmente quem tem força. Já começou com essa nova lei o coeficiente mínimo. Antes era assim: quando o candidato tivesse uma votação estupenda ele iria para um partido pequeno e aí com a votação grande levaria ele e mais dois, hoje, não. Se um outro candidato não tiver o mínimo de votos não será eleito. Isso já uma atribuição da nova lei e muitos não sabem. Com o fim da coligação vai pôr ordem na casa, quer dizer, quem tem 300 votos não assume uma cadeira na Câmara, mas o quem tem 200 assume? Isso ai acabar e vai eleito quem realmente tem votos e você fortalece mais o partido por que partido político não é fortalecido. É meramente uma sigla para apresentar candidatos. Hoje não existe cultura partidária, ou seja aqui em Guimarães somente o PDT tem cultura partidária. É o que podemos ver. Ainda pequeno eu via essa militância da família Gomes na política, vejo você como político e comunicador, é uma cultura individual.

Blog Vimarense – O senhor é neto do ex-prefeito Antônio Tavares. O senhor se recorda dele?

Pablo – Me recordo muito. Eu tenho uma boa memória. Eu e meu avô conversávamos muito. Logo depois que meu avô foi para São Luís nós morávamos ali na Rua Jansen Müller, que até hoje é casa da minha mãe e bem na frente tem a pracinha do DENIT. Íamos pra lá com ele, e o seu hobby, pegava eu e o Bruno meu irmão, todos os sábados ele nos levava primeiramente para cortar o cabelo e depois íamos sentar nessa pracinha e naquela época eu já era invocado com a política. Eu tinha meus 6 anos de idade. As coisas que eu perguntava pra ele sobre as coisas de Guimarães, como hoje a minha filha pergunta, pai desde quando Guimarães tem energia? Pai e Guimarães tem isso, tem aquilo? É o que hoje ela pergunta que eu perguntava naquele época e a minha mãe me contava também sobre o Guimarães daquele anos, que meu avô era um prefeito à frente do seu tempo, ele queria fazer mais coisas por Guimarães mas não tinha o recurso que hoje Guimarães tem. Era o grande visionário porque na época era o maior empregador do município. Ele era industrial de calcário, então ele tinha essa visão. Lembro também que ele nos colocava, eu e Bruno na janela da casa da Jansen Müller e nos abraçava e nos beijava sempre. Estas coisas ainda estão muito vivas na minha cabeça. Apesar de eu ter muito pouca idade na época mas lembro ele como uma referência. O que eu tenho orgulho é saber que o meu avô mesmo com as dificuldades da época fez muita coisa em Guimarães, um dos desbravadores de Guimarães. Ele queria fazer mais e não foi possível porque não havia estrutura. Nonato, nós fomos ao lançamento do livro do amigo conterrâneo de Cumã Juca Araújo, encontrei com o Dr. Agenor Gomes e começamos a conversar e ele me falava da Praça Luís Domingues que foi uma das obras dele e falava da dificuldade que teve de fazer essa praça. Isso foi na década de 1980 e o meu avô foi prefeito na década de 1960. Agora imaginamos as dificuldades dessa época: meu avô fez salas de aula, construiu galpão, ele já tinha as estratégias porque construiu um galpão na entrada da cidade e outro no porto da cidade, construiu uma parte do cais do porto grande. Eu tenho a vida do meu avô catalogada, teve muitos obstáculos, mas mesmo assim desenvolveu do jeito que que foi possível. Muitas pessoas esquecem que o que tem de bom em Guimarães foi feito de uma continuidade, muitos acreditam que a nossa cidade cresceu de 10 anos pra cá. Pra eles não teve Antônio Tavares, Celso Coutinho, Agenor Velho, Zé Murilo, Reginaldo, Agenor Gomes, Artur Farias, Padre William. O que Guimarães tem e representa hoje foi oriunda de uma sequencia de trabalhos desses nossos representantes, uns fizeram mais e outros menos, mas contribuíram. Eu sou contra esse tipo de coisas, porque você cria a cultura que ninguém vai saber da realidade da coisa, temos que ter a responsabilidade de admitir que outras pessoas também fizeram algo de bom para a nossa terra. Já nos dizia o deputado Ulisses Guimarães. “Fato é fato, contra o qual não se contesta.” Não podemos esquecer a nossa história, Guimarães não foi iniciada há dez anos, temos que deixar de sermos apaixonados por político e sim por politica e por Guimarães que a partir de então irá melhorar muito mais.

Blog Vimarense – O senhor tem um sobrenome famoso – Sarney. O sobrenome Sarney ajuda nesta sua eleição?

Pablo – Olha, o sobrenome Sarney nunca me ajudou em nada (risos), imagine na eleição. Por que nunca me ajudou? Porque eu sempre tive que me superar por carregar esse sobrenome, só sabe o peso quem carrega. Nonato (risos) aconteceu comigo na compra de um carro. Me interessei por um carro e fui negociar. Assim que o vendedor viu o meu nome com o sobrenome Sarney, ele deu uma desculpa e foi para o computador. Sabe o que aconteceu, Nonato? por causa do sobrenome Sarney o carro aumentou de preço, a tabela foi alterada naquele momento, me explicou o vendedor (risos). Muito rápido, aconteceu. Numa eleição eu estava em Buriti de Inácia Vaz, precisava alugar um projetor, consegui com um cara lá, estávamos conversando quando chegou um colega meu de lá e disse, eu não sabia que o senhor estava aqui, Dr. Pablo Sarney. Me abraçou, aí o rapaz que estava comigo me falou que iria rápido lá dentro da casa, quando veio me dizendo que o valor do aluguel tinha aumentado mais 100 reais. Aleguei a ele que já tinha me falado o preço e ele me falou que aumentou por que eu sou da família Sarney (risos) e tem dinheiro. Sei que a família Sarney está muito desgastada. O meu tio eu me dou muito bem com ele, com a minha prima a ex-governadora Roseana, mas o sobrenome é do meu pai Murilo Sarney Costa. Pode até soar pretensioso mas não é. Muitos me perguntam o que eu acho da família Sarney. Eu sempre digo que é uma família normal como tantas outras, muitos associam que se é um Sarney não presta. Não é assim, eu não faço política em Guimarães por causa do Sarney, venho da família Tavares. Aliás, sou politico por duas partes: família Sarney e família Tavares. A lógica da vida é essa, Nonato: quem gosta de ti vai aplaudir e quem não gosta vai falar mal. Não tenho nenhuma mancha, nunca fui eleito nem a gari, então essas coisas que jogam pra mim não cola.

Blog Vimarense – No programa para a Educação qual é a sua prioridade?

Pablo – Primeiramente arrumar as escolas do nosso município. Vamos dar como exemplo a escola do Baiacu, você já viu aquela escola, Nonato? Aquilo que estão fazendo é um verdadeiro desrespeito e indignante. Por último entraram na escola e levaram até as panelas, tudo porque ela está completamente abandonada e isso não é só em Baiacu. Estamos somente nominando como exemplo. Outras escolas estão na mesma situação, onde os alunos estão indo para o povoado Monte Alegre, temos que reestruturar a rede educacional. Não é só prédio é um conjunto de coisas, de ação, qualificação de profissionais etc. Você conhece alguma escola que tem uma quadra poliesportiva dentro da escola? Não temos. Nós vamos construir porque os nossos alunos precisam do esporte, está em nosso projeto. Não são quadras grandes e caras, são quadras decentes para os nossos alunos em todos os polos. Eu vi o rapaz que carregou a tocha olímpica, a imagem desse menino foi muito explorada, mas eu quero saber qual foi o apoio do município que ele teve. Na hora teve muitos que queriam aparecer em foto com ele, na hora do bem bom. Eleição não pode ser confundida com negócio. Eu tive a visita de duas pessoas que vieram me pedir algumas coisas e eu falei que eu sou candidato a prefeito e tinha as minhas propostas, me falaram o seguinte se o senhor vem só com propostas não vai adquirir nada de voto, o povo não quer mais essa história de proposta, o povo aqui quer dinheiro, me falaram na cara. E é assim, Nonato. Nós temos conversado com empresários em São Luís que nem tinham ouvido falar em Guimarães, mas agora só de Pablo falar Guimarães, toda hora já estão entusiasmados para vir a Guimarães e se formos eleito trazer o empreendimento para o município. A Suzano é uma delas, não só temos coisas na educação mas na área de emprego e renda. O foco principal é restabelecer a educação no município, a rede educacional que Guimarães não tem. As escolas estão sucateadas, abandonadas e fiquei sabendo ontem que a escola Urbano Santos não está funcionando, por que? Escola é pra funcionar por que é nosso patrimônio.

Blog Vimarense – Quais são os seus planos para a saúde?

Pablo – Primeiro Nonato, nós tivemos um critério, contratar técnicos para fazer o nosso plano de governo. Tem uns três adversários meus que só copiaram planos de outros municípios. Quem me ajudou muito foi a doutora Ana Mary Tavares que é superintendente das UTI’S neonatal da maior maternidade pública do Maranhão, a Marly Sarney. Ela é uma das poucas profissionais que tem experiência em parto de alto risco, professora de enfermagem do Uniceuma. Estou mostrando as qualificações dela porque não é qualquer uma, e se Deus quiser e nós viermos a nos eleger a mesma será a nossa Secretária de Saúde e já começou abrir portas pra gente em Brasília para que possamos trabalhar desde o primeiro dia. Primeiro é a reforma do hospital Maria Alice Coutinho, mas é uma reforma, não é pintura como sempre fazem, leitos humanizados, primeiros socorros, essas coisas banais e que já deveriam ter. Guimarães precisa seus filhos nascendo aqui que há muito tempo não nasce aqui, nascem agora em Cururupu e Pinheiro. No hospital Maria Alice vai ter uma área só para obstetrícia e em um outro momento ser construída uma maternidade. A minha candidatura em Guimarães foi pautada de especulação, uma hora estava com um, outra teria desistido, que nada saiu da minha boca. Torci a perna a cinco dias, estava imobilizada e andando de muleta, mas tive que tirar a tala e deixar a muleta para fazer a campanha e eu na hora de ser atendido, o médico gente boa e disse a ele que tenho uma preocupação com o meu povo de Guimarães, que não tem nenhum tratamento especializado e muito menos com rapidez como estou tendo. O médico me perguntou de onde eu era, disse ser de Guimarães e o mesmo me falou que dificilmente teria condições de ter um ortopedista porque é muito caro e o município não tem condições de pagar (risos). Nonato, eu fiz uma aposta com ele, se eu for prefeito de Guimarães apostaria com ele como eu levo um especialista desse pra Guimarães, já no final ele titubeou, no final ele já dizendo se eu desse uma boa acomodação poderia conseguir e tal (risos), mas desafiei o médico, saúde não se faz só com hospital, PSF e outros, se faz com estrutura e profissionais, a deficiência que temos é médicos, medicamentos. No meu governo, nos 3 primeiros meses o hospital vai estar com 6 UTI’s neonatal prontas, tudo com a doutora Ana Mary que sabe de onde vão vir os recursos. Ela me chama de Pablito, Nonato, ela me disse que vamos fazer tudo isso na saúde pública de Guimarães. O que adianta colocarmos muitas siglas com “f” e nem sabermos o que que é? Vamos ter rádio de comunicação em cada posto dos povoados interligados com o hospital, as informações em tempo real, o médico já será informado do quadro clínico do paciente.

Blog Vimarense – O que o senhor pensa para a agricultura e pesca?

Pablo – Ótimo. Guimarães tem uma vocação natural pela pesca. Você tem que preparar os pescadores para organizar uma cooperativa para que eles tenham mais força, o pescador preciso de apetrechos e às vezes não têm condições de adquirir. A cooperativa é pra isso. A cooperativa vai te dar meios e profissionalização na pesca, a pesca ainda é artesanal aqui em Guimarães, a cooperativa ficará com toda a produção. Outra coisa é que todas as obras inacabadas vamos concluir e inaugurar, essa obras são do povo e temos essa responsabilidade. Se eu for eleito vou inaugurar o mercado do peixe, os nossos pescadores vão ter onde vender e o excedente vendemos para os municípios vizinhos, tem que haver um incentivo aos nossos profissionais da pesca criando uma rotatividade da produção se fizer isso estimula o pescador. Sobre a agricultura, falam muito sobre agricultura familiar que é uma balela toda. Há muita burocracia nessa atual agricultura familiar, primeiramente temos que desburocratizar, o que mais emperra a liberação de recursos para liberação de verbas são documentos, exigem muitos documentos, nenhum banco libera dinheiro se você não apresentar o documento da terra e aí o teu programa de agricultura familiar já morre ali na saída, tem um programa de regularização das terras que a própria prefeitura tem que fazer, precisa ajudar os nossos lavradores, incentivá-los com materiais e técnicos. Existe o carneiro hidráulico que nada mais é do que uma bomba que não precisa de energia, ele é chamado de carneiro porque faz uma zoada como se fosse um carneiro batendo em alguma coisa, será usado na irrigação. Integrar o município diretamente com a Embrapa para usufruirmos de toda a tecnologia de lá, saber como selecionar as sementes, mapear as áreas através de satélite. A tecnologia me fascina, Guimarães está toda mapeada pelo Maltosem. Temos que ter o plano diretor no município, com ele você atrai recursos. Guimarães é uma cidade potente adormecida que precisa acordar. Nonato, aqui estamos somente falando de alguns tópicos do nosso plano de governo.

Blog Vimarense – Obrigado pela entrevista.

Pablo – Eu quem agradeço. Sempre digo que o Blog Vimarense é a referência da notícia de Guimarães e eu como candidato não poderia me furtar. Acredito que as pessoas tem que saber o que o candidato pensa. O Vimarense tem esse belíssimo papel da informação. Nonato, o nosso plano resume-se em “ousadia, progresso e inventividade”. Sou muito fã do ex-presidente Juscelino Kubitschek, o melhor presidente que este país já teve. Por ser um homem inteligente e visionário, ele, quando era prefeito de Belo Horizonte, fez a reforma de uma rua tirando todo o paralelepípedo daquele rua para colocar a pavimentação asfáltica, mas não colocou fora aquele material, aproveitou para colocar em outra rua. Se fosse outro, colocava fora esse paralelepípedo e uma ação dessa é preciso fazer em nossa terra. Guimarães precisa crescer ordenado. Nonato, eu tive que mandar colocar uma lâmpada neste poste de perto da minha casa. Quem for eleito terá que se consolidar, o povo quer uma resposta imediata. Nós estamos preparados e respaldados. Os nossos adversários têm medo de sermos eleito prefeito. Sabe por que? Eu me elegendo, tão cedo, não vão pegar a prefeitura porque vamos fazer a diferença. Tem um pessoal que me critica porque eu penso um Guimarães grande, tem um pessoal que pensa que Guimarães só pode viver de pão e água. Nonato, fico muito satisfeito comigo mesmo porque sempre fiz para ser o melhor e não medíocre. Serei o prefeito diferente. Muito obrigado.


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