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  • Nonato Brito

Juca Araújo escreve crônica sobre os Pastores do Cumã


O anjo anuncia à Maria o nascimento de Jesus. A foto tem 10 anos, é de Pastor do Cumã no ano de 2006, organizado pela cumaense Lourdes Camargo

INESQUECÍVEIS NATAIS

Juca Araújo

Natal é tempo de alegria, fraternidade, sobretudo no seio familiar. Natal também é silêncio, é nostalgia. Tempo de alçar voos, entrar na máquina do tempo e voltar ao passado. Recordar antigos natais que foram comemorados ao lado de amigos e parentes ainda presentes e também daqueles que já partiram. Em fins da década de 40, eu era ainda criança no querido Cumã. Era a época mais esperada do ano entre nós. Os amigos e familiares se reuniam para estreitar os laços de amor e fraternidade. As crianças esperavam ansiosas pelos seus presentes.

Papai vinha a São Luís fazer compras para abastecer o seu comércio e levava para mim e os outros irmãos um carrinho, um cavalinho de madeira, uma bola de borracha. E para Luzia, a única menina da casa, uma boneca de pano ou de plástico. Nessa época, eu já havia descoberto tudo sobre “O Bom Velhinho” e assumi a tarefa, enquanto meus pais dormiam, de colocar debaixo das redes de meus irmãos os presentes.

O tempo foi passando. Passou a infância, passou a juventude. Hoje, residindo em São Luís, quando chega o Natal gosto de lembrar os velhos e queridos natais. Sim, voltar no tempo e lembrar dos meus queridos e saudosos pais e avós. Nossa família era bastante unida e havia muito respeito; meus pais orientavam a família para o amor, união e paz. Durante o dia de Natal, o sino da igreja badalava. Era a Dona Zeca Costa que mandava anunciar o horário da missa.

Em barracões cobertos e tapados de palhas era montado um palco onde as moças: Áurea, Olinta, Dalva, Maud (Môde), Anoca, Nhadica, Denize, Lindalva, Nelci, Dorinha, Cotinha, Doraci, Teodora, Carmelita, Claudete, Delza, Dica Torres e tantas outras representavam um importante evento: o nascimento do filho de Deus conhecido por Pastor que era organizado e ensaiado pelo talentoso Isaías Martins. Cada uma das representantes dava um pouco de si para que a mais bela festa do ano acontecesse com todo esmero e brilho.

Antes da meia-noite, o povo já estava aglomerado dentro e fora do barracão para acompanhar com atenção e respeito a representação que era animada pelos músicos Nhodeco, João Nunes, Clóvis, Venâncio, Zeca Martins, Luiz Pereira e outros músicos da época.

Parecia uma grande família envolvida pela magia do Natal. Quanta saudade!!!...


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