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  • Nonato Brito

IGREJA DE SÃO JOSÉ - Poema de Paulo Oliveira


IGREJA DE SÃO JOSÉ

Paulo Oliveira (Pauliver)

Quem semeia São José

faz colheita de Maria,

quem semeia sempre a fé

faz coleta todo dia,

inclusive de Jesus

nesta igreja que conduz

o cristão que fica em pé.

A igreja em si possante,

com paredões colossais,

quer construção ou pintura,

tudo sobre arquitetura,

num modelo que jamais

contou com luxo ou cristais

dentro e fora da moldura.

Eis tempo erigido

com seu rosto para o mar

num local bem escolhido

de maneira a contemplar

o porto do seu começo,

antes mesmo de ser vila,

sem qualquer noção de preço,

numa vida bem tranquila,

tão feliz nesse endereço

cercado de clorofila,

a saber dos meus tropeços.

À sua esquerda, a baía,

pela direita o poente,

pela frente, sua origem,

pelo fundo, o sol nascente

e, por cima, a Santa Virgem,

mãe do filho onipotente.

Pra erguer este templário,

sólido e mais que seguro,

gastaram-se muitos negros,

índios e outros operários,

a serviço da missão,

criando dias tão duros.

Tantas missas celebradas,

batizados, casamentos,

ladainhas e novenas,

somadas com sacramentos

voaram destes altares

para Deus no firmamento.

Desde os padres Jesuítas

aos seus irmãos Franciscanos,

desde os bons leigos e freiras

que esta igreja é bendita

no apostolado romano,

aliás, esta mesquita

preservou-se bem bonita

aos olhos do Vaticano.

No tempo do coroinha,

da Santa Missa em latim,

de costa para os fiéis,

o mandamento era assim:

a mulher com um decote,

e saia curta (ora veja!)

não entrava na igreja,

nem que possuísse dotes.

Os brancos de melhor nível

Dentro dela tinham túmulo,

Ou jazigos lapidados,

Enquanto, fora, enterrados

Eram os pobres. O cúmulo

De um meio civilizado!

Mas, de belo, a procissão

marítima, a maior,

do patrono São José,

que depois de percorrer

um extenso igarapé

tem regresso ao altar-mor,

sob aplauso popular,

onde colocam o andor.


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