• Nonato Brito

Última entrevista do mestre Marcelino Azevedo ao Blog Vimarense


Marcelino Azevedo (na foto com Nonato Brito) concede sua última entrevista ao Blog Vimarense em junho de 2015. Para a entrevista, acertada uma semana antes, o mestre Marcelino disse que queria dar a entrevista e ser fotografado com a vestimenta do bumba-boi, em sua sede, na Rua Antônia Carvalho, mostrando as zabumbas do batalhão pesado, que ele comandou por mais de 40 anos.

Há 9 meses, o Marcelino Azevedo concedeu a sua última entrevista ao Blog Vimarense. O blog presta homenagem ao mestre Marcelino publicando novamente a entrevista concedida ao editor Nonato Brito, no dia 20 de junho do ano passado.


O Boi de Marcelino está ensaiando desde o mês de maio e se prepara para se apresentar em Guimarães e em São Luís. O editor do Blog Vimarense, Nonato Brito, foi encontrar o amo do boi - Marcelino Azevedo, na sede da brincadeira, na Rua Antônia Carvalho Ribeiro para esta entrevista:


A apresentação do bumba boi de Marcelino aqui em Guimarães está marcada para quando?

Não temos previsão.


E em São Luís o boi vai se apresentar aonde?

Em todos os arraiais da capital.


Atualmente o bumba-boi tem quantos brincantes?

Tem 150 brincantes.


Desde quando mulheres passaram a brincar como caboclas de fita?

Desde a fundação em 1971.


Desde que o senhor se entende o apito já era utilizado na brincadeira?

Já era usado. Os cabeceiras usam o apito como uma necessidade. Os brincantes quando escutam o apito já sabem que vai começar a brincadeira.


O senhor ainda chegou a ver bumba-boi se enfrentando na sede de Guimarães na base do cacete?

Não cheguei a ver, mas era muito comentado. Nós éramos muito crianças nessa época. Guimarães era grande. Mirinzal e Cedral pertenciam a Guimarães.


Quando o senhor entrou no boi de Damásio, o amo ainda era Antônio Pedro?

Era Antônio Pedro. Ele era meu pai de criação, me levava com ele onde o bumba-boi ia brincar. Ele foi a minha fonte de inspiração.


Antônio Pedro era amo ou era cantador?

Ele era as duas coisas. As pessoas que faziam a brincadeira e chamavam ele para tomar conta.


Dos cantadores de bumba-boi de seu tempo de rapaz quais você se lembra como os melhores?

Conheci na época Antônio Pedro, Emídio Mota, Quintino Viveiro, Kleber e agora Valmir.


O senhor conheceu cantadores de bumba-boi de Maçaricó, Genipaúba, Mirinzal e Rabeca?

Na época a gente andava muito pouco, não dava para conhecer, mas se ouvia falar muito. Eu era muito criança, brincava boi, mas não tinha grande conhecimento. Só ouvia falar em Zé Almeida, Alecrides, Benedito Gomes...


O senhor consegue se lembrar da toada botada por Martinho Geleiro do Zaranza, quando na década de 1930 ele foi acusado injustamente de ter furtado umas joias de uma senhora conhecida por Rosa e que na ocasião o delegado cavou um buraco e deixou ele só com a cabeça de fora para confessar o furto?

Isso foi muito comentado em Guimarães, eu era muito pequeno, mas ainda conheci Martinho Geleiro. Ele era tio da minha mãe de criação, uma senhora que morava com o meu pai. Ele era irmão de um senhor chamado João Ciquinho, lá do Damásio, irmão de Luís Gonzaga do Caratiua. Eu não acompanhei quando ele foi preso.


Antes dos cantadores Valmir e Kleber, quem era o mais conhecido cantador do boi de Damásio?

Antônio Pedro e Emídio Mota.


É verdade que o padre Vítor Asselin, vigário da paróquia na década de 1970, também brincou o boi de Damásio?

Brincou sim e teve uma grande influência na organização da brincadeira. Muita gente ia olhar o padre brincar. Ele era vaqueiro.


Desses lugares do estrangeiro que o boi de Guimarães se apresentou, qual o senhor mais gostou?

Da Alemanha. Nós tivemos que nos qualificar com eles três meses antes. Quando nós chegamos lá o pessoal da universidade de lá já nos conhecia. Quando eles foram nos apanhar no aeroporto já conheciam a gente pela foto e pela documentação que estava com eles. Alemanha é um país muito organizado.


O senhor concorda que Alecride é considerado um dos maiores cantadores de bumba-boi de zabumba de todos os tempos?

Daquela época era.


O senhor se recorda de alguma toada de Alecride?

Não sei de nenhuma.


Qual foi o cantador de boi que mais influenciou o senhor?

Antônio Pedro desde a fundação. A Missão Canadense muito influenciou. Se eu fosse alguma autoridade todos os anos eu fazia uma homenagem a essa Missão que muito ajudou Guimarães. Sou testemunha disso, trabalhei com gente séria, honesta, verdadeiras, pontuais. Aprendi muito com esse povo do Canadá. Eu tenho saudades desse tempo. Quem nos apresentou os canadenses lá em Damásio foi Helvécio, irmão de dona Didi de Olavo. Ele tinha uma paixão por Damásio. Todos os finais de semana estava com a gente. Padre Vítor Asselin ajudou muito a comunidade de Damásio.


Quando o bumba-boi se apresenta em São Luís, onde é que os brincantes ficam hospedados?

Na Madre Deus e em um prédio da Rua Isaac Martins, no centro da cidade.


O boi de zabumba está enfrentando uma dificuldade para se firmar nesta época do aumento dos bois de orquestra?

Até que não, porque o boi de orquestra é outra organização. Os instrumentos são comprados e do boi de zabumba nós temos que fazer. Dá muito trabalho.

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