CELSO COUTINHO DÁ ENTREVISTA DE 4 HORAS SOBRE A SUA VIDA AO BLOG VIMARENSE E LEMBRA DA CAMPANHA DA PEDRA: “A MINHA PEDRA HOJE SERÁ O MEU HOSPITAL AMANHÔ

17.01.2016

 

O ex-prefeito Celso Coutinho deu ao Blog Vimarense uma entrevista de quatro horas sobre a sua vida. O hoje tabelião aposentado, aos 84 anos, que exerceu dois mandatos de prefeito de Guimarães, quatro mandatos de deputado estadual e foi presidente da Assembleia Legislativa do Maranhão, falou do seu tempo de menino em Guimarães, de sua família, de seus primeiros professores em Guimarães, da participação como atleta da Seleção de Futebol Vimarense, campeã de 1956, dos colegas jogadores de futebol, da primeira campanha política para vereador à Câmara de Guimarães, de sua participação do movimento estudantil, da luta contra  o Vitorinismo, das suas campanhas a prefeito e a deputado, das obras que viabilizou para o município e, com particular emoção, da Campanha da Pedra quando era prefeito, que levou cada morador da sede a carregar em passeata uma pedra, simbolicamente, para o início da construção do Hospital Municipal. Filho de Daniel Coutinho Neto e Raimunda Cardoso Nunes Coutinho, é casado com a médica Maria Alice Coutinho e é pai de Celso Antônio Fernandes Coutinho e de Denise Fernandes Coutinho Moraes. O blog vai publicar a entrevista em três partes, por limitação de espaço em cada bloco. As entrevistas com os ex-prefeitos de Guimarães – Celso Coutinho, José Murilo Nunes de Sousa, Antônio Reginaldo Lopes, Antônio Agenor Gomes, Artur Farias e o padre William Guimarães da Silva, que começam com o ex-prefeito Celso Coutinho, fazem parte de um esforço do Blog Vimarense em deixar registrada importante parte da História Vimarense. A seguir a entrevista concedida a Nonato Brito, editor do Blog Vimarense:
 
Blog Vimarense - O senhor passou toda a sua meninice em Guimarães?


Estive na minha meninice em Guimarães até aos nove anos de idade. Quando estava com nove anos houve um fato, uma visita de algumas tias aos meus pais e se entenderam em meus pais mandarem um filho estudar aqui em São Luís e eu era o mais velho e fui escolhido para vir. Fiquei muito zangado por que eu não queria sair de Guimarães, mesmo vindo para a casa das minhas tias onde fui muito bem tratado. Lá em Guimarães era a minha casa. O que estavam fazendo para mim era a melhor coisa da minha vida, os meus pais fizeram e eu não entendia isso, indo buscar a escola, o ginásio, que em Guimarães na época não tinha nada disso. Eu vim pra cá, mas com aquela saudade, quando eu ia passar as férias, que a viagem era de barco a vela. Eu nunca andei na época em barco motorizado, vomitava muito no início, mas depois me acostumei e já era um marinheiro (risos) que meus pais iam me deixar no porto. Eu ficava para trás propositadamente para perder a viagem. Fiz isso várias vezes, hoje reconheço que foi a melhor coisa que meus pais fizeram na minha vida, foi me dar essa condição de entendimento, de estudar. Na época a que eu vim estudar aqui em São Luís apenas nove pessoas vieram estudar. Olha que Guimarães era também hoje Cedral, Porto Rico, Mirinzal e Central. Nesse Guimarães desse tamanho só nove estudavam em São Luís. Era eu, (meu pai era um quitandeiro que nunca teve um diploma, a minha mãe uma dona de casa que com a quitandinha mantinham a família), Ary Coutinho, que era meu primo, filho de Rosinha Goulart Coutinho, os filhos de Pedro Almeida, empresário de Mirinzal, que tinha condições, e três a quatro filhos estudavam aqui. Lembro-me do Pedro Almeida Júnior, Oneilda e outra irmã, Zebinho e Betina Cavaignac. Outros não vinham por falta de condições ou falta de entendimento, não se sabe. Eu agora reconheço que foi o maior benefício dos meus pais para comigo. O que meus pais me fizeram qualquer pai pode fazer para qualquer filho. A minha primeira professora foi Esmelinda Pereira, filha de um cidadão chamado Astolfo Pereira, depois ela foi freira carmelita. Ela morava em uma casa ao lado de onde é a Colônia dos Pescadores na Rua Dias Vieira. Eu ia com aquela cartilha do ABC, tinha as letras grandes, depois fui para a escola do professor Edson Anchieta que tem uma escola com o nome dele, uma justa e merecida homenagem, um educador que na época todos passaram por ele, mas ele tinha umas técnicas que hoje não são admitidas, eram uma palmatória e uma vara (risos) Benditos bolos e benditas varadas que peguei. Hoje na escola moderna não se admite, ele era filho também de um professor que eu não  conheci, o Osório Anchieta que era professor catedrático de latim e português no Liceu Maranhense. Essa gente merece ter conhecida a sua história por que eles participaram desse novo Guimarães. Nonato, certa feita a uns quatro anos atrás, estava eu em Guimarães, que nunca me desliguei de lá, vou e volto, sou um filho de Guimarães que saí de lá mas voltei. Era um dia de domingo e deparei com muitas pessoas com livros debaixo do braço, eu logo pensei que seria um concurso, mas perguntei para algumas pessoas que estavam comigo e os mesmos nos informaram, que eram alunos que estavam indo para a faculdade. Fiquei muito feliz, muito contente com essa noticia boa. Hoje nós temos a faculdade, essas coisas têm que ser contadas e colocadas nos anais da Câmara de Vereadores e assim fazerem parte da história da nossa terra que é a sexta ou sétima cidade mais antiga do Maranhão, que no dia 19 deste mês estará completando 258 anos de fundação e eu quero estar lá para comemorar com a sociedade. Eu não tenho discriminação com ninguém, a festa é de todos.


Blog Vimarense - O senhor estudou em Guimarães todo o primário? O senhor se lembra dos nomes dos professores do primário em Guimarães?


Eu não estudei o primário em Guimarães. Os professores que tive foram o professor Edson Anchieta e Esmelinda Pereira, mas conheci outros professores como Dona Zelia, que tenho a impressão que o nome dela era Zélia e a chamavam de Zelia, também era muito ríspida, tinha a professora Dudu Coração que era mãe de criação do professor Joamir Moraes. Depois teve a professora Antônia Carvalho, excelente na história educacional de Guimarães.


Blog Vimarense - O ginásio o senhor fez em São Luís? Qual ano o senhor foi aprovado no curso de direito?


Nonato, eu tenho uma história no vestibular de Direito. Em 1957 fui aprovado no vestibular de direito, mas naquela época tinha uma nota mínima para cada disciplina. Português que tinha a redação e literatura, com prova escrita e oral, Latim, Inglês e Francês (você escolhia o Latim, Inglês ou Francês). Para passar no curso de Direito teria que conseguir a nota mínima que era cinco na matéria. Se numa matéria você tivesse dez e menos de cinco numa outra você não passaria. Eu achava que deveriam cobrar a conclusão da matéria separadamente, para o aluno que não conseguisse a nota, faria novo exame para você não perder no que você já tinha sido aprovado. Então eu e mais quatro colegas, Palmério César Maciel de Campos Júnior, filho de Guimarães, que tinha um apelido que chamávamos carinhosamente de “Poé”, ele recebeu esse apelido por que Guimarães tinha fama de poedor. As pessoas passavam nas casas perguntando se tinha ovos e como criavam muitas galinhas pediam que as pessoas encostassem, quando voltassem que já tinha ovos e aí acontecia (risos). O “Poé” era filho do Dr. Palmério Campos, juiz de Direito de Guimarães, que depois foi desembargador. O “Poé” gosta muito de Guimarães e é muito meu amigo, a Euzuita, Valber Dualibe e Etelmar. Nós tiramos menos de cinco, eu tirei 4,56 numa prova escrita de latim, não consegui os cinco, então nós cinco não fomos aprovados. Como tinha vagas no curso de Direito, nós impetramos um mandado de segurança e um desembargador que não lembro o nome, nos deu uma liminar para nos matricular. Estudamos o primeiro ano, mas a União, por que era uma escola federal, recorreu da sentença da Justiça do Maranhão, nós já tínhamos passado do primeiro para o segundo ano, já tínhamos feito as provas parciais do primeiro semestre quando não reconheceram a liminar e tivemos que fazer novo vestibular. O Valber e a Euzuita não fizeram, não quiseram fazer, mas eu, o Poé e Etelmar fizemos e passamos novamente. Daí eu passei a militar na política estudantil. A primeira eleição que eu tive eu não sabia nem o que era, fui eleito vogal do Centro Liceísta, depois fiquei sabendo que o vogal substituía o titular. E o veterano, para pegar o meu voto, quando eu estudei no Liceu Maranhense me colocou como vogal. Então foi a primeira eleição que tive na vida. Cortaram o meu título de eleitor, eu sou Promotor de Justiça, sou juiz de Direito, passando no concurso com a nota 9,14. Não tem nenhum juiz no Maranhão com a minha nota, e o problema político, da politicalha como estudante e depois de formado, eu constituí, sem saber, alguns desafetos por causa da minha opinião política. Aqui estou lhe mostrando uma certidão do Tribunal de Justiça, do concurso que eu fiz. Fizeram muitas coisas contra mim, eu fui preso como subversivo, eu tenho uma certidão da Justiça Federal de que eu sou anistiado político, estou lutando por isso até hoje, por que acredito na Justiça, não acredito na vingança. Estou lhe mostrando aqui que reabriram as inscrições para candidato e exigiram novos documentos e que apresentei um documento do próprio Exército dizendo que fui investigado e que não houve nenhuma prova contra mim, documento dizendo que não tinha nenhum comprometimento com instituições, que não era subversivo e nada, eu era o único candidato que teria sido preso e que tinha um documento da minha prisão, do próprio Exército dizendo que nada tinha contra mim. Fui preso alegando que era subversivo e agitador, tudo por que fui presidente da UME, era político estudantil. Acredito que fui o único filho de Guimarães presidente da UME. Quando eu fui preso eu era Delegado da SUPRA o que é INCRA hoje. Isso foi 64. Quando veio a Revolução de 1964 acharam por bem e por consequência disso fui preso incomunicável sem direito a defesa. Nunca fui torturado fisicamente, mas só o fato da prisão injusta é a pior das torturas. Lá eu conheci homens decentes como Coronel Mota, o Capitão Tupinambá, homens da maior estatura moral. Eu nunca fui humilhado. Quando o subcomandante, o Coronel Alberto Costa Mota me visitava na cela, quando o sentinela abria a porta, que ele entrava, pedia licença para entrar na casa dele, ele quem estava me prendendo, dizia bom dia doutor Coutinho, com licença. São coisas que não se esquece, são inesquecíveis, aí eu dizia a ele que estava naquela expectativa de ver os resultados daquelas pessoas que estavam presas e ele me dizia, tenha confiança que vai ter resultados bons para vocês. Sempre havia uma palavra de apoio, não do que me acusavam, mas apoio para que confiássemos em uma decisão justa. Não vou parar por aqui por que são direitos imprescritíveis e passarão para os meus descendentes que são meus filhos e meus netos. Um dia a Justiça do Maranhão vai resgatar os direitos que tenho, e, eu digo até brincando que é um valor que não é qualquer prêmio da loteca que ganha, é muito dinheiro que eles têm para me dar. Um dia a Justiça do Maranhão vai pedir desculpas pelo ato de injustiça praticada por ela. Eu estou esperando isso, vamos pra frente. E nesse concurso de juiz, Nonato, já estava marcada a prova e para excluir quatro candidatos inscritos que eram José Mário Machado Santos, o homem mais inteligente que já conheci. Eu aprendia mais literatura com ele do que no Científico no tempo em que eu estudei. Ele tinha uma mágica de passar para a gente, isso também pelas mesmas razões de ser subversivo e agitador, Fernando José Duarte Ferreira, esses dois já são falecidos, Emílio Ayoub, cidadão decente, mas que tinha outra acusação de contrabandista.  Aí reabriram as inscrições e exigiram novos documentos e eles não tiveram o documento e não puderam se inscrever, ficaram chateados. Eu tinha o documento expedido pelo Exército dizendo que eu não era subversivo e agitador, aí me reinscrevi. Foi uma maneira de nos excluir. Aí vieram as provas e alguém admitia que eu não fosse aprovado e então eu disse que estava preparado para ser aprovado e também desaprovado. Eu nunca ia acreditar que os professores da banca examinadora fossem me reprovar por uma questão qualquer e eu passei em terceiro lugar com 9,14 como estou lhe mostrando aqui. O Alberto José Tavares Vieira da Silva, meu compadre, padrinho da minha filha Denise, já era juiz federal, passou em primeiro lugar, foi nomeado, mas não pôde assumir por que já era juiz federal e não poderia exercer os dois ao mesmo tempo. Ficou só com a nomeação, não entrou no exercício do cargo. No segundo lugar foi a colega Dulce Passarinho que era procuradora e juíza federal, ganhava muito mais do que juiz estadual e não podia exercer os dois cargos, decidiu ficar como estava, somente recebeu a nomeação. Com todos os fatos eu fiquei em primeiro lugar, nomearam os 25 aprovados e nunca me disseram por que não me nomearam. Fui buscar essa informação e sempre havia uma desculpa, uma retórica, mas tenho certeza que irei buscar esses direitos um dia, nem que sejam os meus filhos, meus netos, são direitos imprescritíveis. Eu também fui aprovado como promotor de Justiça com 85,66, eu só fui nomeado para fazer de conta pelo Dr. Sarney que era governador e que estive na campanha com ele. Quando ele se elegeu governador todos já tinham sido nomeados e um jornal da época disse que ele ia fazer justiça nomeando o candidato Celso Coutinho. Como nós tínhamos e temos um bom relacionamento com ele, deu-me essa vaga no cartório que sou titular hoje e o mesmo me nomeou promotor de Justiça da cidade de Vitória do Mearim. Isso são experiências que a pessoa tem. Tenho aqui e estou lhe mostrando uma sentença da Justiça Federal do Maranhão de fevereiro do ano passado, com dezoito folhas, do juiz Nelson Loureiro dos Santos, onde ele diz aqui, vou passar a vida toda fazendo isso: “Por tudo quanto exposto até aqui, concluo que o autor merece acolhida em sua pretensão de ver declarada a sua condição de anistiado político”. Nonato, eu fui preso menos de um mês numa sala do tamanho desta que estamos, sozinho eu estava, somente um sentinela 24 horas na porta do lado de fora, e fui também demitido do emprego. As coisas não são resolvidas por que tenho alguns desafetos que não vou nomeá-los aqui, que se escondem, que eu não fiz nenhuma coisa pra eles senão respeitá-los. Com isso aqui eu tenho todos os direitos. A última decisão que tenho, se a Justiça Federal diz que eu sou anistiado político, devo ser nomeado também.


Blog Vimarense - Quando o senhor foi atleta da seleção de futebol de Guimarães, o senhor já estava estudando em São Luís?


Eu já estudava em São Luís e quando eu passava as férias lá em Guimarães, eles me chamavam de jogador da cidade. O Juca do Cumã me contou e vai estar no livro dele, um fato que eu não sabia. Fomos jogar com um time do Cumã, que havia uma rivalidade com a sede e o Juca foi escalado para me marcar. Dei um baile nele e tiveram que tirá-lo do jogo. Eu não sabia disso, ele quem me contou. Quando o nosso time ganhava, o pessoal não dava nem água pra gente.


Blog Vimarense - Qual era o plantel da seleção de futebol nessa época? A seleção de Guimarães foi campeã de futebol em 1956 e vice em 1957. É verdade que Joaquim Lobato, presidente da Liga trouxe na última hora Mário Veloso de avião e Mário Veloso fez um gol decisivo dando a vitória a Guimarães?


Correto, foi com Viana e parece-me que perdíamos por 1x0 e o Mário fez o gol da vitória, o Lobato trazendo Mário de avião por que ele era funcionário dos Correios e não teve licença para sair do município e era titular do time. De direito, somos campeão e vice-campeão, mas de fato somos bicampeões por que foi uma tomada dessa última partida contra Morros, parece-me. Nós ganhamos Bacabal, Ipixuna, São Bento, eu era o capitão do time. Eu tenho uma acusação de um ato que dizem ter sido praticado por mim, que eu nunca pratiquei e que a assistência toda pensou que eu tivesse praticado. Numa saída de bola em um jogo com São Bento, eu jogava de meia, eu e Mário Veloso na ala esquerda, e o Leude de Mirinzal, que era centro avante da seleção de Guimarães deu a saída pra mim, e o Valter um jogador de São Bento, por sinal muito bom, partiu para a disputa de bola comigo e ele era um jogador duro e era muito mais forte do que eu, quando ele se aproximou de mim se atirou pra cima para pegar a bola e eu só tirei a bola pra frente um pouquinho e saí. Ele, o Valter, pisou na bola com os dois pés e caiu gemendo e eu disse pra ele, levanta, cara, e foi aquele alvoroço no campo. Caiu sozinho e rompeu os meniscos e nunca mais jogou bola. O pessoal achou que fui eu, mas eu nem trisquei nele. Eu gostaria até de um contato com esse pessoal, que ainda está vivo. Vamos combinar para você fazer isso, o Camundá que foi o goleiro ainda está vivo e mora em Mirinzal, Bequinha também de Mirinzal, Enéas que era um grande zagueiro que largava o sarrafo muito grande na defesa, Hélio Costa era o lateral esquerdo, irmão de Lourival e filho de Wilton, Seu Mano. O Hélio morreu em um acidente em um barco aqui na Praia Grande. Nonato, há coisas dentro do campo que o árbitro não vê, o torcedor também não, são coisas que acontecem no futebol, aquilo que no vulgar se chama catimbas. O Pelé era homem de grandes catimbas. Ele dava cotoveladas, metia o dedo no olho do cara, por que sabia dar e ninguém olhava, o árbitro as vezes não olhava, então nesse jogo com Ipixuna, parece-me que eu passei a mão nas nádegas do adversário e ele me deu uma bofetada (risos). Fiquei com essa, e aí o árbitro o expulsou, botou ele pra fora e em decorrência disso nós ganhamos o jogo. O futebol tem disso, aqui teve um jogo de Moto e Fluminense, o zagueiro do Fluminense era Haroldo, jogador de Seleção Brasileira, zagueiro central e o Moto tinha o centro avante Pepê, notável Pepê, um craque, e num córner cobrado por Galego, que o Pepê subiu para disputar a bola com o Haroldo, o zagueiro do Fluminense Haroldo deu com o calcanhar da chuteira no joelho do Pepê, o árbitro estava olhando para a bola que veio do córner, nessa ação fraturou a rótula do joelho do Pepê e nem falta foi, o centro avante do Moto ficou mancando e depois de examinado foi constatado que a rótula estava fraturada. Então esta foi uma catimba do zagueiro do Fluminense. Não sei você já ouviu falar que o argentino Maradona deu um campeonato do mundo à Argentina fazendo um gol com a mão e ainda disse numa reportagem que foi a mão de Deus.


Blog Vimarense - Na década de 1950 a Petrobrás fez perfurações à procura de petróleo em Guimarães. Pelo que se sabe a quantidade de petróleo encontrado era inviável para a exploração. O senhor nessa época já estudava em São Luís ou o senhor chegou a acompanhar o movimento dos técnicos em Guimarães?


Eu já estudava em São Luís, mas tinha um bom relacionamento com a equipe da Petrobrás e dentre essas pessoas os engenheiros Dr. Péricles, Dr. Lúcio e o Dr. Jaime. Dr. Jaime teria sido jogador de futebol da primeira divisão da Bahia, do Vitória. Havia naquela época umas coisas de interior, as pessoas não gostavam da competição dos funcionários da Petrobrás que eram bem pagos, que namoravam as meninas, aí ficavam zangados (risos). A Petrobrás saltava lá no porto de Guimarães, não tinha aquela rampa, saltava trator de esteira, patrol, caçamba e tinha como chefe de equipe o Ivon, pai do ex-vereador Antônio Carlos Ferreira. Pois bem, quando os tratores de esteiras saltavam vinham fazendo buracos, furando por onde passava, a macacada que arrumava isso como pretexto para reprovar a Petrobrás, dizia que estavam esburacando as ruas e tal. Aquilo era apenas um pretexto para não terem a competição deles, namoro com as meninas e outras coisas, eles até moraram numa casa nossa. Eu lembro que muitas vezes emprestei paletó meu, quando ia passar as férias lá, para eles frequentarem as festas que só poderia entrar de paletó naquela época. Eles não tinham paletó e eu emprestava os meus. Acredito que não houve certo entendimento de que estavam nos próprios estatutos da Petrobrás de ajudar com todo equipamento que tinha. Não houve um entendimento dos diretores da Petrobrás com os prefeitos dos municípios. Nonato, até a carne, a galinha e outros alimentos foram alterados, aumentado os preços para inviabilizarem o trabalho da Petrobrás, de forma que eles começaram a perfurar ali perto da casa a de João Lima, antes da Betânia, quase que dentro da cidade. As perfurações eram de 100 e 100 metros, e nós não tivemos naquela época a intuição de aproveitar esses poços artesianos, não aproveitamos nenhum. Eles também fizeram estradas em Guimarães, em Jerusalém que agora é Mirinzal, estradas de 20 metros de largura e não foram aproveitadas. Não tiveram a informação e nem intuição da ajuda que ela estava dando, os poços artesianos perfurados em nosso território foram milhares sem utilização e o mato tomou conta.

- A ENTREVISTA CONTINUA NA EDIÇÃO DE QUARTA-FEIRA (20) -

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