• Nonato Brito

"Não tinha sentido as crianças de Guimarães nascerem em Mirinzal"


"Não tinha sentido as crianças de Guimarães nascerem em Mirinzal ou Cururupu por falta de médicos cirurgiões aqui", afirma o vice-prefeito Osvaldo Gomes em entrevista a Nonato Brito, do Blog Vimarense.


O Blog Vimarense foi encontrar o vice-prefeito Osvaldo Gomes no prédio da Prefeitura, na rua Urbano Santos, para esta entrevista. Exercendo o cargo de prefeito em razão da licença da prefeita Margarete Ribeiro para tratamento de saúde no Rio de Janeiro, Osvaldo Gomes falou sobre os primeiros seis meses da administração Margarete-Osvaldo; da volta do funcionamento do hospital municipal Maria Alice Coutinho com médicos cirurgiões e pediatras; da dívida do município que chega a 1 milhão de reais e que já está sendo paga; do prédio do novo mercado municipal com 42 boxes na Rua Joaquim Cavaignac, praticamente pronto para a inauguração; das primeiras iniciativas na área da Educação; da limpeza pública e dos desafios da nova administração. Fala, ainda, da surpresa que todos foram tomados com o afastamento da prefeita Margarete logo no início da administração para tratamento de saúde, mas já se prepara para recebê-la na próxima segunda-feira e passar-lhe o cargo, regressando para as funções de secretário municipal de Educação.



Blog Vimarense - A gestão Margarete-Osvaldo está completando seis meses. Quais as ações mais relevantes da administração nestes seis meses?

Osvaldo Gomes - A ação mais relevante destes seis meses foi colocar o Hospital Municipal para funcionar novamente. O primeiro ato da prefeita Margarete, já no dia da nossa posse na Câmara Municipal, foi contratar novamente médicos cirurgiões que garantissem a realização dos partos e cirurgias no hospital. E às 11 horas da manhã, ela ainda estava tomando posse na Câmara quando recebeu a notícia de que havia nascido uma criança no hospital naquele momento. Ela mesma fez questão de anunciar a boa notícia de ter o hospital novamente funcionando com médicos, fazendo cirurgia e não apenas o atendimento como um posto médico, como vinha ocorrendo na administração anterior. Não tinha sentido que, por falta de médicos as crianças de Guimarães tivessem que nascer em Mirinzal ou Cururupu. É claro que isso tem um custo alto para a Administração pois o gasto com a saúde hoje consome cerca de R$ 400 mil reais em um hospital de 20 leitos. Isso é quase a metade do Fundo de Participação, mas não podemos deixar o hospital sem funcionar em um município em que são raras as pessoas que podem ter um plano de saúde para pagar um hospital em São Luís. Hoje o atendimento no hospital não pára, pois a Prefeitura contratou médicos clínicos, cirurgiões e pediatras, além dos programas do PSF, NASF e CAPS. A outra metade dos recursos do Fundo de Participação é para o pagamento da folha dos funcionários públicos e pagamento de dívidas passadas. Temos a manutenção das escolas, professores, combustível para os ônibus escolares, a limpeza pública e despesas do dia a dia, tudo isso está funcionando, graças a Deus. Esse funcionamento da máquina administrativa é essencial para o nosso município. Mesmo com as dificuldades financeiras iniciais, começamos a recuperação de várias estradas vicinais que estavam intrafegáveis como as estradas de Gepuba, Prata, Vila Nova até Maçaricó, o esforço para recuperar as nossas praças, a adequação de um prédio para o funcionamento da Secretaria Municipal de Educação, a recuperação do prédio para o funcionamento da Secretaria Municipal de Assistência Social. Mas os recursos ainda não foram suficientes para realizarmos uma grande operação tapa-buracos nas ruas da cidade, que se encontram numa situação muito difícil. Até os recursos da Repatriação referentes ao valor arrecadado pela União com o pagamento de Imposto de Renda de mais de R$ 500 mil reais que caiu na conta do município no dia 31 de dezembro, véspera da nossa posse, e que poderia ser aplicado para fazer uma grande operação de recuperação das nossas ruas que se encontram muito esburacadas, a administração anterior não deixou na conta. Tivemos que dar prioridade ao setor de Saúde. Veja como ficou a nossa Pracinha – a Praça Artur Napoleão Coelho de Souza, que é a praça do Urbano Santos. Até o coreto da praça, onde as crianças brincam, encontramos semidestruído, com a parte de madeira que serve de proteção para as crianças toda arruinada, logo bem, ali, em frente à Prefeitura, mas aos poucos vamos consertando o que ficou destruído. Outro grande desafio dos primeiros meses foi limpar o nome do município que se encontrava devendo vários órgãos da esfera estadual e federal, em dívidas geradas pela administração anterior, que estavam impedindo o município de realizar novos convênios. Nós, por exemplo, não conseguimos receber nenhuma ajuda financeira do Estado para o Carnaval porque o município não havia prestado contas de convênio anterior, mas realizamos um carnaval bem participativo e organizado porque o carnaval é uma época em que os vimarenses que moram em outras cidades aproveitam para rever as suas famílias e rever os conterrâneos, numa grande confraternização, então tínhamos que organizá-lo, já no início da administração com os recursos do próprio município. Encontramos dívidas de INSS, FGTS, Consignados, Cemar, Caema, somando cerca de R$ 1 milhão de reais. Estamos deixando o município em ordem e adimplente. Essas ações são necessárias para que o município possa receber convênios.


O tratamento de saúde da prefeita Margarete no Rio de Janeiro no início da gestão pegou a todos de surpresa. Quando ela voltará a assumir?

Foi uma grande surpresa, daquela que ninguém esperava em hipótese alguma. Ela estava bem entusiasmada com os seus projetos e o seu desejo de começar a melhorar o nosso município. A nossa vida é um ponto de interrogação, não sabemos do amanhã, o futuro a Deus pertence, Ele é o autor da vida. Mas Margarete é uma pessoa de muita fé. Se Deus quiser, ela estará de volta conosco para reassumir as suas responsabilidades no dia 1º de julho. Estamos organizando uma fraterna acolhida para recebê-la.


O prédio do mercado público será inaugurado ainda este mês?

No início de março reiniciamos as obras de ampliação do mercado público, na Rua Joaquim Cavaignac. São 42 boxes para atender a nossa população. Essas obras foram projeto ainda do ex-prefeito padre William e ficaram quatros anos paradas. Tenho acompanhado de perto o andamento das obras que já estão nos acabamentos finais, aguardando a pintura, e no máximo em duas semanas é a previsão da empresa responsável entregar a obra para que administração possa inaugurá-la.


Quantos alunos matriculados a rede municipal de ensino tem atualmente?

Hoje, na rede de ensino municipal atendemos aproximadamente 4 mil alunos matriculados, que vão do Ensino Infantil, ao Ensino Fundamental, sem esquecer a educação de jovens e adultos. Mesmo sendo responsabilidade do governo do Estado a nossa gestão atende com o transporte escolar os alunos do Ensino Médio que vem dos povoados de Pareaua, Boa Esperança, Gepuba, Lago do Sapateiro, Damásio, Caratiua, Santa Luzia, Puca, Cumum e toda a região do Baiacu.


Para quando está prevista a conclusão da rua que o senhor mandou abrir ligando a Praça do Fórum ao bairro do Mangueirão?

Ainda não temos previsão porque além dos serviços de desmatamento com trator de esteira e nivelamento com patrol ainda precisamos construir bueiros porque a força da descida da água naquele trecho é muito grande. Iniciamos logo porque dispomos das máquinas e até agora gastamos só com o combustível e o pagamento dos trabalhadores porque obtivemos a permissão de dona Analia e de dona Maria de Abel para passarmos por dentro de suas propriedades sem ônus para o município. Elas são as proprietárias daquelas "quintas" próximas ao mangue. É uma rua que será importante para desafogar as necessidades da moradia daquele bairro e é uma reivindicação antiga da população daquele setor da cidade, além de valorizar mais ainda a Rua Marques Café, que não tem saída. Quando ficar pronta a rua, vai se incorporar à paisagem da nossa cidade porque é uma área muito bonita. É grande a demanda por moradias na nossa cidade e temos de ter o cuidado de vê-la crescer de forma ordenada, bem esquadrejada como ela é. Essa rua vai permitir que muitas pessoas possam adquirir os seus lotes para construir as suas casas sem recorrer as áreas de mangue que rodeiam a nossa cidade e que temos de preservar.


E como andam as conversações com o Governo do Estado sobre a estrada da Praia de Araoca?

Estive com o governador Flavio Dino no mês de março a pedido da prefeita Margarete, que já começava a enfrentar problemas de saúde. Ela pediu que eu fosse representá-la e eu fui. O governador nos assegurou que o governo do Estado asfaltará a estrada de Araoca que é um pleito antigo de nosso município. E ele próprio fez essa promessa em seu último comício de campanha aqui em Guimarães. Eu estava no palanque e várias outras lideranças políticas também se encontravam no palanque como o Coronel Castro, a ex-vereadora Augusta Nogueira e o então vice-prefeito Diego Castro. E lá nesta última audiência no palácio dos Leões ele voltou a assegurar a construção da estrada. Disse que ele teve algumas dificuldades por causa da crise econômica que se abateu sobre todos os estados e municípios mas que cumprirá a sua palavra. Além disso, assegurou que vai destinar 5 quilômetros de asfalto para as ruas da nossa cidade. Vindo o asfalto para as nossas ruas, já economizaremos esses recursos da operação tapa-buracos e aplicaremos em Educação e Saúde, mas se demorar, teremos de recorrer aos nossos próprios recursos para melhorar as nossas ruas porque elas ficaram numa situação de calamidade. No último dia 28, fui chamado pelo Secretário Chefe do Gabinete Civil do Governador, Marcelo Tavares e lá estive para tratativas sobre essas obras. Estamos no começo da gestão, as dificuldades eram previsíveis e não vamos desanimar em melhorar o nosso município. Para isso contamos com a ajuda de Deus e com a ajuda de todos os vimarenses.


Muito obrigado pela entrevista.

Eu que agradeço.

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