DONA TOMÁSIA E DONA JÓ: MAIS DE 12 ANOS DE FÉ E DEVOÇÃO A SÃO JOSÉ EM GUIMARÃES

Atualizado: 1 de set.


Em Guimarães, a devoção a São José se manifesta de muitas formas. Para algumas pessoas, ela está nas orações, nas promessas, nas caminhadas e na participação nas celebrações. Para Dona Tomásia e Dona Jó, moradoras da Avenida José Bruno de Barros, a fé também se transforma em trabalho, cuidado e solidariedade.
Há mais de 12 anos, as duas mantêm uma tradição que atravessa os anos e se renova a cada festejo de São José. Durante todo o período entre um festejo e outro, elas criam galinhas e patos com um propósito muito especial: contribuir com a festa do santo padroeiro.
É um trabalho que começa silenciosamente, muito antes de as primeiras bandeiras serem levantadas e de os devotos se reunirem para celebrar São José. Elas cuidam das aves durante meses, esperando o momento de entregá-las para que sejam utilizadas nas barracas do festejo, onde ajudam a garantir alimentos que são vendidos durante a programação.
No festejo de 2026, a contribuição foi expressiva: 14 galinhas e frangos e quatro patos foram entregues para colaborar com a organização da festa.
E a devoção já está pensando no próximo ano. Dona Tomásia e Dona Jó já estão criando 29 patinhos e, em breve, deverão comprar os pintos que serão criados ao longo dos próximos meses, até a chegada de mais um festejo de São José.
A participação das duas não se resume à criação das aves. No primeiro sábado do festejo, a casa de Dona Tomásia e Dona Jó também se transforma em um espaço de acolhimento e partilha.
Há mais de uma década, elas realizam um café da manhã para os devotos, reunindo pessoas em torno da mesa e da fraternidade. É mais um gesto que nasceu da fé e que, ano após ano, se tornou parte da tradição do festejo.
Além do café, elas também recolhem donativos destinados à festa e fazem questão de repassá-los à organização do festejo de São José.
A corrente de solidariedade vai ainda mais longe. Dona Tomásia e Dona Jó recebem donativos vindos do povoado Santinha, no município de Cedral, que também são encaminhados por elas para ajudar na realização do festejo em Guimarães.
A história das duas mostra que uma festa religiosa não se faz apenas no altar. Ela também é construída pelas mãos de pessoas que trabalham durante meses, guardam suas promessas, mobilizam amigos, recebem doações e ajudam sem esperar reconhecimento.
São pequenas atitudes que, somadas, mantêm viva uma tradição que atravessa gerações.
Criar uma galinha ou um pato durante um ano pode parecer, à primeira vista, uma tarefa simples. Mas, quando existe uma intenção maior por trás daquele cuidado, cada ave passa a carregar consigo um pouco da devoção de quem a criou.
Da mesma forma, preparar um café da manhã, receber donativos e repassá-los para o festejo são gestos que revelam uma fé que não fica apenas nas palavras. É uma fé que se coloca a serviço da comunidade.
Dona Tomásia e Dona Jó fazem parte daquela parcela silenciosa de devotos que ajudam a construir a história das festas religiosas de Guimarães. Não estão apenas contribuindo com alimentos ou donativos. Estão ajudando a preservar uma tradição que, há mais de 12 anos, une fé, amizade, solidariedade e devoção.
E enquanto um festejo termina, outro já começa a nascer nos cuidados delas.
Porque para quem tem fé, São José não é celebrado apenas durante os dias da festa. A devoção continua durante todo o ano.










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