HOJE É DIA DE REIS: LEMBRANÇAS DOS REISADOS QUE ENCANTARAM GERAÇÕES EM GUIMARÃES
- Blog Vimarense

- há 1 dia
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O Dia de Reis, celebrado em 6 de janeiro, é uma data profundamente marcada pela tradição, pela música e pela celebração popular. No Brasil, esse dia ganha vida por meio da Folia de Reis — uma manifestação cultural que reúne fé, canto, instrumentos, cores e encontros, expressando a riqueza da cultura popular transmitida de geração em geração.
Em Guimarães, o Dia de Reis sempre foi um tempo especial. Era dia de devoção, de alegria e de convivência comunitária. Os Reisados, como também eram conhecidos, percorriam as ruas da cidade, as estradas, visitavam casas e transformavam os lares em espaços de acolhida, celebração e partilha.
Os grupos se organizavam com antecedência. Havia o mestre, os tocadores, os cantadores e os personagens que encantavam crianças e adultos. As cantorias anunciavam a visita dos Reis Magos ao Menino Jesus, misturando o sagrado com o popular, a fé com a alegria do povo. Em cada casa visitada, a folia era recebida com café, bolo, mingau, aplausos e, acima de tudo, respeito. Era um ritual coletivo que fortalecia laços e mantinha viva a identidade cultural das comunidades.
Ao longo do tempo, no entanto, muitos desses Reisados deixaram de existir em Guimarães. No passado, a tradição foi mantida por figuras importantes da cultura local, como: Casemiro, Francisca Carvalho ( Dona Chica), Nhazinha Moreira, dona Duduzinha, dona Alice Nogueira cuja dedicação ajudaram a preservar essa manifestação por muitos anos. Com a partida desses mestres e a falta de continuidade, a folia silenciou.
As razões para esse desaparecimento são diversas: a migração dos jovens, as mudanças no modo de vida, a ausência de incentivo às manifestações culturais e o enfraquecimento da transmissão oral. Mestres envelheceram, instrumentos se calaram e os caminhos antes percorridos pelas folias ficaram vazios no Dia de Reis.
Apesar do silêncio atual, a importância dos Reisados para Guimarães permanece viva na memória do povo. Eles representam um valioso patrimônio cultural imaterial, testemunho da fé, da criatividade e da força das tradições de Guimarães.
Resgatar essa memória é um ato de valorização da nossa história. Falar dos Reisados que já não existem é também um convite à reflexão: que tradições estamos deixando partir? Que histórias ainda podemos preservar? No Dia de Reis, ao recordar essas folias que marcaram o passado, reafirmamos a necessidade de cuidar da cultura popular, para que ela não sobreviva apenas na saudade, mas também encontre caminhos para renascer.










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