HISTÓRIAS DO ALÉM QUE AINDA ECOAM NA MEMÓRIA DOS MORADORES DE GUIMARÃES
- Blog Vimarense

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Nesta semana, Guimarães celebrou 268 anos de fundação. E mesmo com os festejos, as homenagens e os olhares voltados para o futuro, há algo que insiste em caminhar conosco: as histórias que atravessam gerações, sussurradas ao pé do ouvido, contadas à meia-luz, cheias de mistério e imaginação. São as visagens de Guimarães.
Hoje, muitas crianças e jovens talvez nem saibam o que essa palavra significa. Mas houve um tempo em que as visagens faziam parte do cotidiano, moldavam comportamentos, impunham respeito e davam arrepios nas noites silenciosas da cidade.
Uma das histórias mais faladas por várias gerações é a do homem alto. Dizem que era um homem de pernas compridas, pés enormes, que costumava sentar no telhado de um sobrado da Praça Luís Domingues, com as pernas balançando no ar, observando a cidade. Quando não estava ali, aparecia sentado no alto de uma palmeira. Bastava alguém comentar para que o medo se espalhasse — e ninguém mais passava sozinho por perto.
Outra história que ainda causa arrepio é a da Orelha de Pau do Guarapiranga. Conta-se que um jovem, desobediente e de maus costumes, morreu, mas nem a terra, nem o mar, nem o fogo o quiseram. A terra devolveu o corpo, o mar o trouxe de volta, o fogo não o consumiu. Desesperados, amarraram o corpo a uma palmeira. Com o tempo, ali surgiu uma orelha de pau — o cogumelo que, segundo os mais antigos, é o próprio corpo transformado. Até hoje, a palmeira carrega essa história.
Há também a temida Folhinha, que aparecia nas noites escuras, seguindo moradores que corriam assustados pelas ruas, sem entender se aquilo era vento, sombra ou algo do além.
E como esquecer da Manguda, figura que habitava o imaginário popular, ou da Mãe d’Água, que assobiava nas proximidades das águas, encantando e amedrontando quem ousasse ouvir seu chamado?
São histórias assim que fazem de Guimarães mais do que datas e números. Fazem da cidade um território de memória viva, onde o real e o imaginário caminham juntos. Mesmo que hoje sejam menos contadas, elas ainda vivem — nas lembranças dos mais velhos, nas conversas de fim de tarde, nas noites silenciosas em que alguém jura ter visto ou ouvido algo estranho.
Celebrar os 268 anos de Guimarães é também lembrar dessas narrativas, que ajudam a contar quem somos, de onde viemos e como aprendemos a olhar a cidade com respeito, curiosidade e encanto.
Porque Guimarães não é feita só de ruas e prédios.É feita de histórias.Algumas… do outro lado da vida










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