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IMAGENS DE GUIMARÃES - AZULEJOS QUE GUARDAM O TEMPO: A MEMÓRIA COLONIAL NAS PAREDES DE GUIMARÃES

Foto do escritor: Blog Vimarense
Blog Vimarense
30 de ago.
2 min de leitura
 Casarão colonial que abriga a Casa Paroquial, localizado na Rua Urbano Santos, em Guimarães. A arquitetura preserva elementos que testemunham a história e a riqueza cultural do município.
 Casarão colonial que abriga a Casa Paroquial, localizado na Rua Urbano Santos, em Guimarães. A arquitetura preserva elementos que testemunham a história e a riqueza cultural do município.
Detalhe dos azulejos coloniais que revestem o casarão. De perto, o desenho revela a delicadeza das formas e das cores, preservando nas paredes um fragmento da memória histórica de Guimarães.
Detalhe dos azulejos coloniais que revestem o casarão. De perto, o desenho revela a delicadeza das formas e das cores, preservando nas paredes um fragmento da memória histórica de Guimarães.

Há casas que são apenas casas. E há aquelas que parecem ter aprendido a guardar o tempo.

Em Guimarães, os casarões antigos não precisam de muitas palavras para contar a sua história. Basta olhar para suas fachadas, para as portas, para as janelas e, sobretudo, para os azulejos que resistem ao sol, à chuva e aos anos.

Na primeira fotografia, as janelas de madeira, pintadas de vermelho-terra, encontram-se emolduradas por uma delicada composição de azulejos coloniais. O desenho se repete como uma espécie de oração visual: azul, amarelo, verde e branco se entrelaçam, formando uma geometria que parece ter sido pensada não apenas para ornamentar, mas para eternizar.

A madeira envelheceu. A pintura perdeu um pouco do seu brilho. O tempo deixou suas marcas. Mas justamente aí mora a beleza.

Porque patrimônio não é aquilo que permanece intocado. Patrimônio também é aquilo que sobrevive às marcas do tempo.

Na segunda fotografia, o olhar se aproxima. E aquilo que, de longe, parecia apenas um detalhe da fachada revela-se como uma pequena obra de arte.

O desenho central, em verde e azul, cercado pelo amarelo e pelo branco, parece uma flor aberta sobre a parede. Cada azulejo se junta ao outro e, juntos, formam uma narrativa silenciosa.

Há pequenas perdas, rachaduras, sinais de desgaste. Algumas partes já não têm a mesma integridade de outrora. Mas talvez seja justamente isso que torne essa imagem tão bonita: o azulejo não esconde a passagem do tempo; ele a revela.

Guimarães tem dessas preciosidades.

Caminhar pelas suas ruas é, muitas vezes, caminhar por dentro de um livro antigo. Um livro escrito em madeira, pedra, cal, telhas e azulejos. Um livro que não está nas estantes, mas nas fachadas dos casarões.

Esses azulejos coloniais são mais do que elementos decorativos. São testemunhos de uma época, de uma maneira de construir, de uma estética e de uma cultura que atravessaram gerações.

E talvez seja esse o maior encanto de uma cidade histórica: ela não precisa voltar ao passado para nos fazer encontrá-lo.

Ele está ali.

Na janela entreaberta.

Na madeira marcada pelo tempo.

Na parede revestida de azulejos.

No desenho que continua se repetindo, mesmo quando já não sabemos quem o escolheu ou quem colocou, uma a uma, aquelas peças sobre a parede.

É como se o casarão dissesse baixinho a quem passa:

“Eu estava aqui antes de você. Vi muita gente chegar, muita gente partir. E enquanto eu permanecer de pé, alguma coisa dessa história continuará viva.”

E talvez seja por isso que fotografar um detalhe como esses azulejos seja também uma forma de preservar Guimarães.

Porque há memórias que não cabem nos livros.

Algumas cabem em um azulejo.

 
 
 

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