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Maria Firmina dos Reis e o cotidiano da escravidão no Brasil é lançado em Guimarães


A biografia "Maria Firmina dos Reis e o cotidiano da escravidão no Brasil", de autoria do juiz e escritor Agenor Gomes, foi lançada em Guimarães, no último dia 25, às 17 horas, no prédio da antiga Escola Nossa Senhora da Assunção, situado na Rua Emílio Habib. Cerca de 200 pessoas compareceram ao lançamento. Com 362 páginas e 81 fotos, o livro é uma biografia da primeira romancista brasileira,. Toda a sua produção intelectual se deu em Guimarães, longe da efervecência cultural da capital da Província, São Luís, e da corte do Rio de Janeiro. Em Guimarães, Maria Firmina viveu durante 70 anos e encontra-se sepultada no Cemitério do Santíssimo Sacramento, na Rua Emílio Habib.

Maria Firmina dos Reis nasceu em São Luís na mesma década da independência do Brasil e transferiu-se para Guimarães em 1847, depois da sua aprovação em concurso público para o cargo de professora de primeiras letras do sexo feminino na Vila de Guimarães. Professora de primeiras letras, romancista, poeta, cronista, contista, musicista e ativista da cultura popular, Maria Firmina dos Reis é autora do romance Úrsula, dos contos "Gupeva" e "A escrava", e do livro de poemas Cantos à beira Mar, e é fundadora da primeira escola mista da Província do Maranhão, escola onde podiam estudar juntos meninos e meninas. A escola mista de Maria Firmina foi fundada no povoado Maçaricó, a 10 quilômetros da Vila de Guimarães, em 1881. A escritora também escrevia autos da cultura popular, como o "Boi Caramba", o Pastor "Estrela do Oriente" e o auto dos Santos Reis "Martírio dos Inocentes". Ela é a primeira romancista brasileira. Em Úrsula (1860), o negro escravizado - o homem e, especialmente, a mulher - quebra a narrativa da subalternidade cultuada pela sociedade escravista e assume seu próprio discurso, verbalizado as palavras "livre" e "liberdade".


Filha de escrava alforriada, Maria Firmina dos Reis, rompendo limites então impostos pela sociedade às mulheres, expôs, com sua primeira produção literária, a crueldade do sistema escravista, quase 30 anos antes da Abolição. Na atualidade, a publicação de cerca de 60 teses e dissertações sobre sua vida e obra, além de diversas reedições de seu romance Úrsula, comprovam que a romancista pioneira construiu uma obra que ainda hoje nos leva a refletir sobre escravidão e liberdade, e que só na luta contínua pela liberdade é possível ampliar os espaços de cidadania conquistados pelos descendentes das muitas Áfricas, cujos antepassados, durante tês séculos, desembarcaram a ferros nas costas brasileiras.

O livro, que recebeu o selo da Academia Maranhense de Letras, contém documentação inédita sobre Maria Firmina dos Reis, além da árvore genealógica da família da romancista, desde sua avó Engrácia, negra escravizada e depois alforriada, até ramificações da quinta geração familiar, incluindo inventários, procurações, batismos, óbitos e outros. O prefácio é da escritora carioca Luíza Lobo, o posfácio do escritor vimaranense José Ewerton Neto, da Academia Maranhense de Letras, e a orelha do livro pelo des. Lourival Serejo, presidente do Tribunal de Justiça do Maranhão e membro da Academia Maranhense de Letras.


Das 81 fotos do livro, destacam-se as fotos do povoado Maçaricó, onde a professora fundou a sua escola mista, a estrada de chão da Baixa da Pindoba, os baixios do Atins, defronte a praia de Araoca, a Igreja de São José, o Fórum de Justiça, o monumento com a estátua de Maria Firmina, construído na praça Luís Domingues, dentre outras.

A árvore genealógica da família de Maria Firmina dos Reis, constante do livro, revelou dezenas de parentes da romancista, como Argentina Reis, Demósthenes Washington dos Reis, Maria de Lourdes dos Reis, Francisco Sotero dos Reis, Manoel dos Reis, Delorme Vespertina Baganha dos Reis, Deyse Baganha dos Reis, Olda Baganha dos Reis, Benedito José dos Reis, Wilton Reis, Euza Reis, Walter Reis, Ferdinando da Costa Reis, Francisca Luiza da Costa Reis, Olga Dolores da Costa Reis, dentre outros.


Os leitores podem adquirir o exemplar na Livraria AMEI, no São Luís Shopping, na Avenida Professor Carlos Cunha, 1000, São Luís-MA ou pelo site da AMEI https://www.ameilivraria.com

O sumário

O sumário

O autor Agenor Gomes, ladeado pelo escritor José Ewerton Neto, da Academia Maranhense de Letras, pelo prefeito Osvaldo Gomes, Magno Cartágenes, presidente da Câmara Municipal, Tony Avelar, presidente do Instituto Histórico e Geográfico de Guimarães, pela professora Euriana Ribeiro dos Santos, diretora da Escola Maria Firmina dos Reis, de Maçaricó, e Aline Martins, líder da comunidade do Cumum.



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