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Vimarense Cida Nunes, radicada em São Paulo, escreve crônica sobre a sua terra - Guimarães



A vimarense Maria Aparecida Nunes de Carvalho (Cida Nunes), radicada desde 1981 em São Paulo, escreve crônica sobre a sua terra - Guimarães. Na bela crônica "Minha origem", a vimarense relembra a natureza do litoral de Guimarães, o mar, os manguezais, os guarás, os arrecifes, as marés em enchente e vazante e orgulha-se em afirmar: "Sou de lá, onde a natureza ainda resguarda belas praias alongando-se em contornos e relevos sinuosos, soberbos buscando esconderem-se não sei onde em algum lugar sumido na paz de um infinito desconhecido". A seguir, a crônica, na íntegra:



MINHA ORIGEM


Sou cabocla litorânea das bandas do grande mar bravo, enfurecedor, povoado pelos arrecifes cercados de mistérios, lendas e temores. Submersos ou expostos pontiagudos feito lanças afiadas vê-se ali um iminente perigo à espreita do invasor. Intimidam naquele território intransponível capaz de provocar tragédia devastadora a qualquer incauto navegante. Um mar que vomita ondas intensas e grandes quando instigado pelo vento sendo capaz de levar a pique a embarcação que navegar em dia não aconselhável. Mas também é possível encontrá-lo pacífico em plena calmaria deixando-se escorregar indolente entre espumas sobre areia, cativo, submisso, marolando ao deleite da envolvente aragem.

Sou de lá, onde a natureza ainda resguarda belas praias alongando-se em contornos e relevos sinuosos, soberbos buscando esconderem-se não sei onde em algum lugar sumido na paz de um infinito desconhecido.

Na minha terra, os manguezais imperam vigorosos onde formam poderoso domínio. Desenvolvem, triplicam entre emaranhados de crustáceos, areia e lama, podendo incorporar aos seus redutos praias inteiras deixando para trás apenas recordações de outrora no imaginário nostálgico daqueles que as conheceram. Em seus galhos resistentes, viçosos, aglomeram-se os atraentes guarás, ali fazem morada na vastidão e silêncio de um mundo quase impenetrável. Pela manhã debandam em voos serenos desbravando outros horizontes para no final do dia retornarem ao pouso noturno. Chegam num bater de asas lento expandindo uma beleza que tinge com exuberante vermelho a paisagem entardecendo mística e também solitária.

A maré no processo geológico se esvai, distancia-se longe deixando para trás uma imagem fotográfica que inspira placidez poética, sonhadora entre canoas e barcos estagnados, resignados à mercê da longa espera onde o sopro da brisa marinha como um alento atenua com leveza e prazer.

Essa variação da maré entre o ir, vir, ou seja, vazante e enchente tem uma duração que prolonga-se horas. No seu retorno chega murmurando mansa, caudalosa ou intensa, impulsiva, ágil ou tão somente fúria.

Amo minha terra, Guimarães, Maranhão.

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