PORTO DE COROATÁ: ONDE O SOL SE DESPEDE E UMA HISTÓRIA COMEÇA






Há lugares que parecem ter sido escolhidos pela natureza para guardar momentos especiais. O Porto de Coroatá, em Guimarães, é um desses lugares. No final da tarde, quando o sol começa a descer lentamente no horizonte e a luz dourada se espalha sobre as águas, o cenário ganha uma beleza que convida à contemplação.
É também um dos tradicionais pontos de encontro de Guimarães. Famílias e amigos costumam chegar ao porto para aquele lanche no fim do dia, uma conversa sem pressa, uma boa companhia e, principalmente, para apreciar a natureza. Ali, a simplicidade se transforma em experiência: sentar, conversar, observar o movimento das águas e esperar o espetáculo do pôr do sol.
Mas o Porto de Coroatá guarda muito mais do que uma paisagem bonita. Guarda memória. Guarda história. E guarda a lembrança de um dos grandes nomes da religiosidade maranhense.
Foi naquele lugar que nasceu, em 20 de julho de 1909, o padre Benedito Coelho Estrela, conhecido carinhosamente como Padre Estrela, considerado um dos grandes oradores sacros do Maranhão. Sua trajetória religiosa e intelectual ultrapassou as fronteiras de Guimarães, deixando marcas profundas na vida de muitas pessoas.
E foi também daquele porto que, anos depois, começou uma das mais importantes viagens de sua vida.
Em 25 de janeiro de 1920, ainda muito jovem, Benedito Coelho Estrela deixou Coroatá com destino a São Luís, onde ingressaria no seminário para iniciar sua formação religiosa. O menino que partia daquele pequeno porto carregava consigo sonhos, incertezas e a esperança de um futuro que ainda estava por ser construído.
A partida foi registrada de maneira emocionante por Almerinda Ricard, que descreveu a cena com uma imagem que atravessaria o tempo:“O tempo ainda escuro, embora a manhã anunciasse, o barco que os conduziria deixava o porto de seu pequeno lugarejo, Coroatá, em Guimarães.Segundo o relato, sua mãe segurava um farol para iluminar o movimento dos tripulantes e viajantes. À medida que o barco se afastava, o jovem Benedito mantinha os olhos fixos naquela luz. A lembrança ficou gravada para sempre: Aquela luz na mão de minha mãe. Luz que me conduzia para o seminário e que me guiaria toda a minha vida.”
É difícil imaginar uma imagem mais bonita para representar a história daquele lugar. O mesmo porto que hoje recebe famílias para um lanche ao entardecer foi, um dia, o ponto de partida de um menino que seguiria para São Luís e se tornaria uma das vozes mais marcantes da Igreja no Maranhão.
Hoje, quando o visitante chega ao Porto de Coroatá e contempla o sol desaparecendo lentamente atrás da paisagem, talvez possa imaginar aquela manhã de janeiro de 1920. O barco se afastando. A mãe permanecendo no porto. E uma pequena luz sendo carregada pelas mãos de quem ficava.
O tempo passou. O menino cresceu. O menino tornou-se padre. A voz daquele jovem ganhou púlpitos e multidões. Mas a imagem daquela luz permaneceu.
Por isso, o Porto de Coroatá não é apenas um lugar para contemplar um dos mais belos pores do sol de Guimarães. É também um lugar para contemplar a própria história.
Entre o brilho do sol que se despede e a luz de um antigo farol que permanece na memória, Coroatá continua contando sua história. Uma história feita de natureza, encontros, despedidas, partidas e sonhos.
Talvez seja justamente essa a maior beleza daquele porto: ali, todos os dias, o sol se põe. Mas as histórias permanecem.










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