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COMEÇA NESTA SEXTA-FEIRA O TRADICIONAL FESTEJO DE SÃO JOSÉ EM GUIMARÃES

  • Foto do escritor: Blog Vimarense
    Blog Vimarense
  • há 3 horas
  • 4 min de leitura
Cartaz oficial do Festejo de São José 2026, que começa nesta sexta-feira, 28 de agosto, e segue até 6 de setembro, reunindo a comunidade vimarense em uma programação marcada pela fé, tradição e cultura.
Cartaz oficial do Festejo de São José 2026, que começa nesta sexta-feira, 28 de agosto, e segue até 6 de setembro, reunindo a comunidade vimarense em uma programação marcada pela fé, tradição e cultura.
Folder com a programação completa do Festejo de São José 2026, celebrações religiosas, atividades culturais e momentos de confraternização ao longo dos dias de festa.
Folder com a programação completa do Festejo de São José 2026, celebrações religiosas, atividades culturais e momentos de confraternização ao longo dos dias de festa.

Festejo começa nesta sexta-feira, 28 de agosto, e segue até 6 de setembro, reunindo novenas, missas, caminhadas, alvoradas, atividades culturais e a tradicional Procissão Marítima


Guimarães se prepara para viver, a partir desta sexta-feira, 28 de agosto, mais uma edição do tradicional Festejo de São José, uma das manifestações religiosas e culturais mais antigas e representativas do município. A programação segue até o dia 6 de setembro, reunindo durante dez dias momentos de fé, devoção, convivência comunitária e manifestações da cultura popular.

Mais do que uma festa religiosa, o Festejo de São José carrega consigo parte da própria história de Guimarães. A devoção ao santo é anterior à criação da vila que deu origem ao município e está diretamente ligada às raízes históricas do território.

Uma devoção anterior à própria Guimarães. Antes mesmo de existir oficialmente a Vila de São José de Guimarães, já havia entre os moradores da região uma forte devoção ao santo. Um dos seus mais fervorosos devotos foi José Bruno de Barros, proprietário da Fazenda Guarapiranga, cuja propriedade foi posteriormente doada à Coroa Portuguesa.

Foi nesse território que, em 19 de janeiro de 1758, foi fundada a Vila de São José de Guimarães. A escolha do nome não foi casual. A denominação revela a devoção ao santo e a condição de São José como padroeiro do lugar, uma ligação que permanece viva quase três séculos depois.

Pouco tempo depois, em 23 de março de 1758, foi criada a Freguesia de São José de Guimarães, consolidando também no âmbito religioso a importância do santo para a comunidade que começava a se formar.

Desde então, a devoção atravessou gerações, passando de pais para filhos e incorporando ao longo dos anos novas manifestações de fé, cultura e participação popular.

Entre as tradições que ajudaram a transformar o Festejo de São José em uma grande celebração comunitária estão os famosos concursos entre barracas, cuja história remonta à década de 1950.

A tradição está intimamente ligada ao trabalho do padre italiano Luiz Ziachinato, que foi pároco de Guimarães naquele período. Visionário e entusiasta das artes, da cultura popular e da educação, o sacerdote deixou sua marca na vida da comunidade não apenas por sua atuação pastoral, mas também pelo incentivo às manifestações culturais e recreativas.

Em 1950, diante do intenso período chuvoso característico do mês de março, quando tradicionalmente eram realizadas as festividades em honra a São José, padre Ziachinato decidiu transferir o festejo para o mês de outubro.

A mudança também levou em consideração as características naturais da região. A preferência era pelo período de lua cheia, quando as marés altas favoreciam a realização da Procissão Marítima, realizada tradicionalmente no final da tarde, unindo religiosidade, paisagem e a relação histórica de Guimarães com suas águas.

Dois anos depois, em 1952, surgia o primeiro concurso entre barracas.

Os primeiros concursos registrados mostram a criatividade e a participação da comunidade:

  • 1952 – Concurso: Ciganas Candidatas: Nilce Baima e Maria José ( Nhá-Zeca)

  • 1953 – Concurso: Sede e Central - Candidatas: Almerinda Gomes e Leomar

  • 1954 – Concurso: Bonecas - Candidatas: Sônia, Santoca e Nitinha

  • 1955 – Concurso: Camponesa e Havaiana - Candidatas: Francy Paula e Lindalva Tavares

  • 1956 – Concurso: Cores -Candidatas: Conceição, Telma e Laurita

A partir daí, muitos outros concursos foram realizados, transformando as barracas em espaços de criatividade, disputa saudável e confraternização, especialmente entre as famílias e grupos da comunidade.

A tradição se incorporou definitivamente à identidade do festejo e permanece como uma das lembranças mais marcantes de diferentes gerações de vimarenses.

No aspecto religioso, o Festejo de São José mantém sua essência. Durante os dias de celebração, a comunidade participa de novenas, orações, missas e caminhadas, renovando os pedidos, agradecimentos e promessas ao padroeiro.

Outro momento que marca profundamente a programação é a alvorada, realizada logo ao amanhecer, quando os primeiros sons do dia anunciam o início de mais uma jornada de fé.

A programação também ganha vida depois das celebrações religiosas. Todas as noites, após a missa, o público poderá participar de atividades culturais e da venda de lanches, criando um ambiente de encontro e confraternização entre moradores e visitantes.

O encerramento do festejo, no dia 6 de setembro, terá como um dos grandes momentos a tradicional Procissão Marítima.

A manifestação, que nasceu dentro da própria história do festejo e da visão do padre Benedito Estrela, transformou-se em um dos símbolos da celebração. Fé, tradição e natureza se encontram no percurso sobre as águas da Baía de Cumã, em uma cerimônia que preserva uma memória coletiva construída por várias gerações.

A Procissão Marítima já se aproxima de nove décadas de história, constituindo um dos mais importantes patrimônios imateriais da religiosidade e da cultura popular de Guimarães.

Para 2026, o Festejo de São José traz como tema: “São José protegei nossas casas, abençoai nossos lares , como lema: Ele veio morar entre nós” (João 1,14).

A mensagem traduz o sentido espiritual da celebração: recordar a presença de Deus no meio do seu povo e renovar a fé daqueles que, ano após ano, recorrem a São José como intercessor e protetor.

A devoção ao santo também se expressa nos pedidos feitos por tantas famílias durante o festejo: proteção para as casas, bênçãos para os lares, saúde, paz e esperança para toda a comunidade.

Quase 270 anos depois da criação da Vila de São José de Guimarães, a devoção que acompanhou o nascimento da cidade continua presente.

O nome da antiga vila, a criação da freguesia, a história de José Bruno de Barros, a atuação dos padres, dos leigos, os concursos de barracas, as alvoradas, as novenas e a Procissão Marítima formam capítulos de uma mesma história: a história de um povo que encontrou em São José uma referência de fé e identidade.

Nesta sexta-feira, 28 de agosto, Guimarães começa a escrever mais uma página dessa longa tradição.Serão dez dias em que a cidade se encontrará em torno do seu padroeiro, entre orações, cânticos, encontros, cultura popular, sabores, memórias e manifestações de fé.

O Festejo de São José 2026 começa. E, mais uma vez, Guimarães se reúne para celebrar aquele cujo nome está gravado na própria origem da cidade.

São José, protegei nossas casas, abençoai nossos lares e caminhai conosco.

 
 
 

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